MPRJ faz operação contra esquema de R$ 86 milhões no Rio Metrópole

Seis pessoas foram presas; entre eles o presidente do Instituto Rio Metrópole, um diretor da instituição, um delegado da Polícia Civil e um procurador do Estado

Camille Barbosa, da CNN Brasil, no Rio de Janeiro
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O MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) realiza, nesta quinta-feira (9), uma operação para cumprir mandados contra um esquema de desvio de recursos públicos no IRM (Instituto Rio Metrópole).

A operação tem como objetivo cumprir seis mandados de prisão. Seis pessoas foram presas. Entre elas estão o presidente do instituto, Davi Perini Vermelho, o "Didê".

Ao todo, o GAESF/MPRJ (Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal) denunciou 11 pessoas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Além das prisões, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão na capital, em São Gonçalo e Teresópolis.

Segundo o Ministério Público, as investigações começaram após uma auditoria determinada pela gestão do governador em exercício Ricardo Couto. A apuração aponta que o IRM celebrou contratos considerados ilegais que movimentaram R$ 86,28 milhões entre julho de 2022 e maio de 2026.

De acordo com a denúncia, empresas contratadas pelo instituto repassavam parte dos recursos ao Instituto BIO (Brazilian Institute of Organics), apontado como uma entidade de fachada. De lá, o dinheiro era sacado em espécie, em um esquema que, segundo o MPRJ, buscava dificultar o rastreamento dos valores desviados.

Alvos presos na operação: 

  • Davi Perini Vermelho ("Didê") – presidente do Instituto Rio Metrópole e ex-presidente da Câmara de São João de Meriti. Segundo a investigação, liderava o núcleo de agentes públicos, autorizando contratações, assinando contratos e controlando pagamentos.
  • Franquis Dias Nepomuceno – delegado da Polícia Civil e diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM. Conforme o MPRJ, atuava como ordenador de despesas e exercia o controle do grupo RioForte, responsável pela escolta armada dos valores sacados em espécie.
  • Marcelo Lopes da Silva – procurador do Estado e então chefe da Procuradoria-Geral do IRM. É acusado de emitir pareceres que deram respaldo jurídico às contratações e ao reajuste considerado irregular dos contratos.
  • Caroline Soares Barros – ex-fiscal de contratos do IRM e presidente do Instituto BIO. Apontada como a "Mulher da Mala", é suspeita de realizar saques milionários em espécie dos recursos desviados. Segundo as investigações, ela contava com escolta armada de empresas de vigilância durante o transporte do dinheiro.
  • Amanda Íthala Santos da Paschoa – sucedeu Caroline na fiscalização e atestou a execução dos contratos.
  • Maurício Silva Knoploch dos Santos – diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação. Apontado como articulador do direcionamento das licitações em favor das empresas investigadas. É pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL).

Outros seis denunciados também são investigados por participação no esquema. Para parte deles, a Justiça determinou medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento periódico à Justiça e proibição de deixar o país.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos citados.