MPRJ pede júri popular para 5 acusados por morte de policial em Niterói

Réus são acusados de envolvimento na execução do policial civil Carlos Vianna, morto em outubro de 2025, em Piratininga

Camille Barbosa, da CNN Brasil, no Rio de Janeiro
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O MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) pediu que cinco acusados pela morte do policial civil Carlos José Queiroz Vianna sejam julgados pelo Tribunal do Júri. O agente foi assassinado em outubro de 2025, em frente à casa onde morava, em Piratininga, Niterói, região metropolitana do Rio.

Entre os réus estão os policiais militares Fábio de Oliveira Ramos e Felipe Ramos Noronha, além de Mayck Júnior Pfister Pedro, Dênis da Silva Costa e José Gomes da Rocha Neto, o Kiko. Eles respondem por homicídio triplamente qualificado e adulteração de placa de veículo.

O que aponta a acusação

Segundo o MPRJ, a execução foi precedida pelo monitoramento da vítima. Fábio é acusado de acompanhar a rotina do policial e conduzir o Jeep Compass usado na fuga. Fotografias de locais próximos à residência de Carlos Vianna foram encontradas em seu celular.

Felipe também é apontado como participante do monitoramento e da execução. Mayck, segundo a investigação, teria gravado imagens da vítima no trabalho e chegando em casa, inclusive na véspera do crime.

Dênis é acusado de atuar como apoio durante a fuga e de participar da tentativa de destruir o veículo usado pelos criminosos. Já Kiko é apontado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público como coordenador da ação.

Os três primeiros acusados foram presos no dia do homicídio, nas proximidades de um Jeep Compass incendiado em Duque de Caxias. Armas e placas clonadas também foram encontradas. Dênis foi preso meses depois, após novas informações obtidas na investigação. Kiko acabou detido em janeiro de 2026.

O que dizem as defesas

Os advogados dos cinco acusados pedem a despronúncia e a absolvição dos clientes. As defesas afirmam que o Ministério Público não demonstrou de maneira individualizada a participação de cada réu no assassinato.

A defesa de Mayck questiona a validade de provas extraídas do celular e aponta possíveis problemas na cadeia de custódia. Os advogados também afirmam que não há evidências de pagamento, ordem ou acordo para a execução.

No caso de Kiko, a defesa sustenta que os contatos mantidos com Fábio eram decorrentes da amizade entre os dois e não tinham relação com o crime. Ele foi o único dos acusados a prestar depoimento em juízo e negou participação no homicídio.

PMs foram expulsos

Fábio e Felipe também foram expulsos da Polícia Militar em agosto, após decisão do Conselho Disciplinar. A corporação apontou transgressões graves relacionadas ao uso de veículos roubados, furtados ou clonados e ao porte ilegal de armas.

No Judiciário, a defesa dos policiais também questiona as prisões. Uma decisão da 1ª Câmara Criminal determinou que um dos agentes permanecesse no Batalhão Especial Prisional enquanto o habeas corpus é analisado.

A investigação sobre a motivação do assassinato e a possível existência de um mandante continua. A Polícia Civil analisa dados obtidos a partir dos celulares apreendidos durante o caso.

A decisão sobre a submissão dos cinco acusados ao Tribunal do Júri ainda cabe à Justiça. Todos negam as acusações.