"Papa da esperança": jovem relembra discurso para pontífice no Brasil

“A voz da igreja é uma voz jovem, negra, pobre e favelada”, afirmou Walmyr em entrevista ao Live CNN

Cleber Rodrigues, da CNN, no Rio de Janeiro
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Mais de uma década depois da histórica visita do papa Francisco ao Brasil durante a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, o historiador e mestre em sustentabilidade pela PUC-Rio, Walmyr Júnior, relembra com emoção o momento em que falou em nome da juventude brasileira, especialmente dos jovens das periferias, diante do pontífice.

“A voz da igreja é uma voz jovem, negra, pobre e favelada”, afirmou Walmyr em entrevista a CNN. Aos 28 anos, ele foi escolhido para discursar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro diante de autoridades religiosas e políticas.

“Foi um momento de falar para o papa sobre a realidade da juventude no Brasil naquele tempo, que não é muito diferente daquilo que a gente vive hoje”, disse. “Jovens vulnerabilizados pela ausência de políticas públicas, jovens em conflito com a lei, jovens sem acesso à educação, à cultura, ao mercado de trabalho. Mas também os jovens que sonham, que desejam reescrever sua história e apontar novos horizontes para a sociedade.”

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A fala emocionada de Walmyr aconteceu em um dos pontos altos da Jornada Mundial da Juventude, que culminou em uma missa em Copacabana com recorde de público: 3,7 milhões de pessoas, segundo o Vaticano.

Cria da favela Kelson, no Complexo da Maré, ele destacou que a presença do papa Francisco no Brasil significou muito mais do que um gesto simbólico.

“Francisco é o papa da esperança. Ele aponta para o mais pobre, para o excluído, para o negro, o indígena, o favelado, para as pessoas LGBT’s. O abraço do papa é o abraço da igreja, é o abraço de Cristo.”

Durante a entrevista, Walmyr mostrou o terço que recebeu como presente do papa.

“Esse tercinho me acompanha nos momentos de dureza da vida, mas também nos momentos de alegria. Foi um gesto de fé e de acolhimento. Francisco me abraçou como pai, como igreja.”

Ao projetar o futuro da Igreja, Walmyr reforçou o desejo de continuidade do legado deixado pelo papa Francisco.

“Que o próximo papa seja inspirado pelo Espírito Santo para fecundar a boa nova de Jesus a partir da justiça socioambiental, da defesa dos direitos humanos e da valorização da vida. A juventude precisa continuar sendo ouvida.”