“Papai, não sou bandido”, diz criança baleada em escola do Rio

Estudante de 7 anos foi atingido por tiro de fuzil durante aula de educação física; polícia investiga origem do disparo

Cleber Rodrigues e Camille Couto, da CNN, Rio de Janeiro
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A Polícia Civil investiga a origem do tiro que atingiu um estudante de 7 anos durante uma aula de educação física em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O caso ocorreu na manhã desta quinta-feira (14), na Escola Municipal Professora Marisa Vargas Menezes.

O disparo atingiu a nádega e a virilha da criança, que foi socorrida ao Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Em entrevista à CNN Brasil, o pai do estudante afirmou que, após o episódio de violência, o menino ficou traumatizado.

“Ele não quer mais ir para a escola. Você fala o nome da escola e ele começa a se tremer e a chorar. ‘Papai, não sou bandido. Por que eu levei tiro? Promete que eu não vou morrer?’”, relatou Carlos Cesar Reis Costa.

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Após o atendimento, o estudante recebeu alta no mesmo dia.

Uma foto enviada pela família mostra o projétil encontrado na quadra da escola. Segundo Carlos, antes de o menino ser atingido, moradores ouviram um intenso tiroteio na área de mata da Gardênia Azul, comunidade marcada por uma disputa violenta entre a milícia e traficantes do Comando Vermelho.

“É uma bala de fuzil, já foi identificado. Ela atravessou a área de mata da Gardênia Azul e veio cair aqui em Rio das Pedras”, disse Carlos.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação manifestou preocupação com o impacto de episódios de violência nas escolas, ressaltando que esses espaços devem ser ambientes de paz e aprendizado.

De acordo com a Polícia Militar, equipes do 31º BPM (Jacarepaguá) foram ao hospital após receberem a informação sobre o ferimento da criança. No local, a ocorrência foi confirmada e registrada na 16ª DP (Barra da Tijuca), mas será transferida para a 32ª DP (Taquara). A Polícia Civil realiza diligências para identificar o autor e esclarecer as circunstâncias do caso.

Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado revelou que, em 2025, 12 crianças de 0 a 11 anos foram baleadas na Região Metropolitana do Rio — duas morreram e dez ficaram feridas.