PF faz operação contra policiais suspeitos de ligação com crime no RJ

Mandados de prisão e busca foram cumpridos na capital e na Baixada; investigados são afastados das funções

Camille Barbosa, da CNN Brasil, no Rio de Janeiro
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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (11), a terceira fase da Operação Anomalia no estado do Rio de Janeiro. A ação tem como objetivo desarticular um núcleo formado por policiais militares investigados por atuação em benefício de grupos criminosos violentos.

A ação tem apoio da Corregedoria Geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Segundo a corporação, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva contra policiais militares  e sete mandados de busca e apreensão. Os agentes serão encaminhados à Unidade Prisional da PM, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, onde permanecerão presos.

As ordens judiciais foram executadas em bairros da capital fluminense — Taquara, Freguesia, Campo Grande e Santa Cruz — além dos municípios de Nova Iguaçu e Nilópolis, na Região Metropolitana.

Por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal), todos os investigados também foram afastados imediatamente das funções públicas. A decisão inclui ainda a quebra do sigilo de dados de equipamentos eletrônicos apreendidos durante a operação. O cumprimento das medidas contou com apoio da Corregedoria da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com a Polícia Federal, os elementos reunidos durante as apurações indicam que os policiais militares investigados utilizariam prerrogativas da função pública e da farda para favorecer organizações criminosas. As investigações apontam para uma estrutura voltada à facilitação logística de atividades relacionadas ao tráfico de drogas e à atuação de milícias, além da proteção a integrantes desses grupos e da ocultação de recursos de origem ilícita.

Em nota, a  Polícia Militar informou ainda que os envolvidos serão submetidos a PADs (Processos Administrativos Disciplinares), que irão avaliar a possibilidade de permanência dos acusados nos quadros da corporação. O comando da instituição afirmou que não compactua com desvios de conduta ou com crimes praticados por seus integrantes e que adota medidas rigorosas sempre que irregularidades são constatadas.

Os investigados poderão responder, conforme o grau de participação, por organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de capitais. O material apreendido durante as buscas será analisado para identificar possíveis outros envolvidos no esquema investigado.

Força-Tarefa Missão Redentor II

A operação é resultado das investigações conduzidas pela Força-Tarefa Missão Redentor II, criada para consolidar diretrizes do Supremo Tribunal Federal relacionadas ao acórdão da ADPF 635. Segundo a Polícia Federal, o grupo atua na produção de inteligência para identificar e neutralizar organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas e armas, além de mapear conexões entre esses grupos e agentes públicos.