PMs são afastados das ruas após mortes de pedreiros em São Gonçalo (RJ)

Homens estavam em uma moto no bairro do Jardim Catarina quando foram mortos a tiros; testemunhas dizem que vítimas seguiam para o trabalho quando foram confundidas com traficantes

Rodrigo Monteiro, da CNN Brasil, Rio de Janeiro
Compartilhar matéria

Os policiais militares envolvidos em uma ação que resultou nas mortes de dois pedreiros no bairro do Jardim Catarina, em São Gonçalo, foram afastados das ruas. O caso aconteceu na manhã desta quarta-feira (27), quando os homens foram mortos a tiros na região, conhecida como Ipuca.

De acordo com a Polícia Militar, as armas dos agentes também foram acauteladas para perícia.

Segundo testemunhas, os homens, identificados como Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46 anos, estariam indo trabalhar como pedreiros. As testemunhas ainda afirmam que as vítimas eram inocentes e teriam sido confundidas com traficantes da região quando foram atingidas.

Após as mortes, alguns protestos e manifestações foram feitos às margens da rodovia BR-101, trecho que corta o bairro onde o caso aconteceu.

A PRF (Polícia Rodoviária Federal) foi acionada e conseguiu liberar a pista. Na ocasião, um ônibus chegou a ter a chave retirada pelos manifestantes e ficou abandonado na rodovia. Posteriormente, o veículo foi retirado da via e levado para a garagem.

Segundo a Prefeitura de São Gonçalo, dez linhas de ônibus municipais que circulam pela região foram suspensas. Postos de saúde e escolas também tiveram os atendimentos prejudicados.

A DNHSG (Delegacia de Homicídios da Região Metropolitana) fez perícia no local e investiga o caso. Câmeras de segurança da rua onde os tiros foram disparados podem ajudar os investigadores a esclarecer o que aconteceu.

Imagens obtidas pela CNN Brasil mostram a fumaça na via durante o protesto. Veja:

A CNN Brasil entrou em contato com a Polícia Militar para entender o que os policiais faziam na região quando os homens foram mortos e esclarecer a dinâmica da ocorrência, mas não recebeu retorno. A corporação também não informou se os policiais usavam câmeras nos uniformes durante a ação.

Em nota, a PMERJ (Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro) informou que o comando do 7º BPM (São Gonçalo) instaurou um procedimento apuratório para investigar as circunstâncias da ação "durante uma ocupação na localidade". A PM lamentou as mortes de Marcelo e Edivan, afirmando que "preza pela transparência" e "colabora integralmente com a apuração".

Leia também: Laudo confirma que PMs atiraram em jovem rendido em Paraisópolis (SP)

Repercussão do caso

Após a repercussão, o caso passou a ser monitorado pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

O órgão classificou como inadmissível o fato de trabalhadores serem mortos por agentes do Estado enquanto saem para garantir o sustento familiar, ressaltando que carregavam apenas ferramentas e marmitas.

A Comissão de Direitos Humanos também se colocou à disposição das famílias para prestar atendimento e cobrar a devida responsabilização.