Polícia faz megaoperação contra atuação do CV no RJ; Maré tem tiroteio

Ação cumpre cumpre mandados em Petrópolis e no Complexo da Maré; até o momento, 11 pessoas ligadas ao Comando Vermelho foram presas

Camille Couto, da CNN, no Rio de Janeiro
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A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), a segunda fase da Operação Asfixia, que busca cumprir 18 mandados de prisão contra integrantes do CV (Comando Vermelho) na Região Serrana e no Complexo da Maré, na zona Norte da capital.

A ofensiva é considerada a maior já realizada contra o tráfico de drogas na Região Serrana. Moradores do Complexo da Maré relataram intensos tiroteios durante a ação.

Agentes da 106ª DP (Itaipava) e da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público, participam da ação. Até o momento, 11 pessoas foram presas. Entre eles, um sargento da Polícia Militar e um assessor da prefeitura de Petrópolis.

Em nota a Polícia Militar informou que Corregedoria-Geral  acompanhou o cumprimento do mandado de prisão contra o agente sargento Bruno da Cruz Rosa, lotado no 20º BPM (Mesquita). Segundo a corporação, o policial será conduzido à Unidade Prisional da Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM), em Niterói, na Região Metropolitana. Ele responderá a um processo administrativo disciplinar que avaliará sua permanência nos quadros da corporação.

Outro preso na operação é Robson Esteves de Oliveira, assessor da Secretaria de Serviços da Prefeitura de Petrópolis. Em nota, a administração municipal informou ter tomado conhecimento da prisão e afirmou não ter ciência de qualquer atividade ilícita praticada pelo servidor, que trabalhava no órgão há alguns anos. Segundo a investigação, ele mantinha uma vida paralela alheia às funções no Executivo. Diante da gravidade do caso, o prefeito determinou sua imediata exoneração.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 700 mil em bens ligados à facção, atingindo o patrimônio usado para sustentar as atividades ilegais.

Investigações

De acordo com a polícia, as apurações identificaram 55 pessoas envolvidas no esquema criminoso. O líder da organização, seu braço direito e outros comparsas estariam escondidos no Parque União, na Maré, de onde coordenavam a logística do transporte de drogas para a Região Serrana.

Em Itaipava, a droga era redistribuída em áreas controladas por gerentes locais. Além do comércio ilícito, o grupo também exercia domínio territorial e impunha regras violentas nas comunidades sob seu controle.