Polícia prende suspeito de operar finanças e lavar R$ 5 milhões para o TCP

Investigação da Polícia Civil do Rio aponta uso de redes sociais para divulgar apostas ilegais, movimentar dinheiro e ocultar recursos ligados ao tráfico no Complexo da Maré

Camille Barbosa e Manuella Dal Mas, da CNN Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, neste domingo (24), Luan Vitor França de Medeiros, apontado pelas investigações como operador financeiro da facção criminosa TCP (Terceiro Comando Puro), com atuação no Complexo da Maré, na Zona Norte da capital fluminense.

A ação foi realizada pela DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes) para cumprir medidas judiciais relacionadas a uma investigação que apura suspeitas de tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro, exploração ilegal de jogos de azar e induzimento à especulação.

Segundo a corporação, Luan teria utilizado redes sociais com grande alcance para promover plataformas clandestinas de apostas e jogos de azar não autorizadas pelos órgãos reguladores.

De acordo com a investigação, a atividade serviria para atrair usuários, movimentar recursos em ambiente digital e ocultar valores que teriam origem no tráfico de drogas.

Ainda conforme os investigadores, o suspeito exerceria uma função estratégica dentro da estrutura financeira da organização criminosa, atuando na circulação e na dissimulação de recursos ilícitos. A Polícia Civil afirma que a exposição nas redes sociais e a divulgação constante das plataformas buscavam conferir aparência de atividade econômica regular.

As apurações indicam que, em aproximadamente um ano, houve movimentação financeira próxima de R$ 5 milhões. Para os investigadores, os valores podem estar relacionados à lavagem de dinheiro proveniente das atividades do tráfico de entorpecentes.

A investigação também identificou indícios de proximidade entre o investigado e integrantes do TCP que atuam no Complexo da Maré, incluindo pessoas associadas ao núcleo armado da facção.

De acordo com a Polícia Civil, durante o trabalho investigativo foram encontradas publicações nas redes sociais com exibição de grandes quantias em dinheiro em espécie, conteúdos associados à chamada narcocultura e divulgação recorrente de links de plataformas ilegais de apostas.

Os investigadores afirmam ainda ter identificado um padrão de vida considerado incompatível com rendimentos lícitos conhecidos e registros frequentes do investigado ao lado de integrantes da criminalidade organizada e figuras públicas.

A operação teve como objetivo apreender celulares, equipamentos eletrônicos, documentos, registros financeiros, mídias digitais e outros elementos que possam auxiliar no aprofundamento das investigações e na identificação da estrutura financeira supostamente utilizada para movimentação dos recursos.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que organizações criminosas vêm ampliando formas de atuação para além do tráfico de drogas, incorporando atividades econômicas ilícitas e utilizando as redes sociais como ferramenta para captação financeira, lavagem de dinheiro e promoção da narcocultura.

Segundo a corporação, Luan também costumava publicar conteúdos ostentando uma rotina de luxo e teria feito homenagens ao traficante Thiago da Silva Folly, conhecido como TH da Maré, morto em maio do ano passado.

A CNN Brasil tenta localizar a defesa do suspeito.