Polícia tenta prender dezenas de integrantes do CV em operação no Rio

De acordo com as investigações, facção passou a explorar o roubo de veículos como importante fonte de financiamento do crime; modelo ampliou capacidade operacional e fortaleceu estrutura criminosa

Vitor Bonets e Roberta Camargo, colaboração para a CNN Brasil, Camille Barbosa, da CNN Brasil, em São Paulo
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro faz, na manhã desta quarta-feira (5), uma operação para prender preventivamente 98 integrantes do Comando Vermelho com atuação no Complexo do Fallet-Fogueteiro, na região central do Rio. A ação terminou com 10 pessoas presas.

De acordo com as investigações, a facção passou a explorar, de forma estruturada, o roubo de veículos como importante fonte de financiamento do crime. O modelo ampliou a capacidade operacional e fortaleceu a estrutura criminosa.

Os veículos furtados ou roubados abasteciam desmanches clandestinos, o comércio ilegal de peças e eram utilizados em outras ações ilegais, o que alimentava um ciclo de financiamento do Comando Vermelho.

A denúncia oferecida pelo Ministério Público descreve uma associação para o tráfico com rígida divisão de funções, hierarquia definida, controle territorial e atuação coordenada entre os integrantes.

Além disso, a Polícia Civil destacou que o tráfico montou um esquema de empresa. Alguns veículos de concessionária, por exemplo, chegavam a ser negociados diretamente para devolução.

A nova fase da Operação Contenção busca cumprir os mandados de prisão contra integrantes da organização criminosa. O principal alvo é o traficante conhecido como "Paulinho do Fogueteiro".

Veja imagens da ação abaixo:

Domínio social do Comando Vermelho

Os trabalhos apontam que a estratégia faz parte de um modelo de domínio social estruturado. A Polícia Civil diz que o Comando Vermelho não se limita ao controle armado das comunidades onde atua.

A facção busca expandir a influência sobre o entorno por meio da exploração coordenada de diferentes mercados do crime, da intimidação armada, da ocupação de corredores urbanos estratégicos e da obtenção de recursos capazes de financiar a estrutura e ampliar o poder de atuação.

Assim, o roubo de veículos passou a integrar a estratégia de fortalecimento econômico do grupo criminoso.

CV e o crime de roubo de veículos

Segundo a Polícia Civil, embora o município do Rio de Janeiro apresente redução dos índices consolidados de roubos de veículos, as regiões no entorno da área de influência da Comando Vermelho registraram crescimento das ocorrências.

Um estudo comparativo entre os períodos de janeiro a julho de 2025 e janeiro a julho de 2026 revelou aumento de 58,3% em Santa Teresa (CISP 7), de 17,4% no Centro (CISP 5) e de 15% na Tijuca (CISP 19).

As análises da DRFA-CAP (Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capita) demonstraram que o aumento dos roubos ocorreu em maior parte exatamente no corredor formado pelo Complexo do Fallet-Fogueteiro, Santa Teresa, Centro e Grande Tijuca.

Os locais coincidem com a área em que a investigação identificou a expansão da atuação da facção carioca.

Para a Polícia Civil, a concentração reforça a correlação entre o fortalecimento financeiro do Comando Vermelho, a estratégia de expansão territorial e o crescimento dos roubos de veículos nas regiões.

De acordo com a instituição, o conjunto probatório permitiu o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público e fundamentou os pedidos de prisão preventiva dos investigados.

Quem é Paulinho do Fogueteiro

Paulo César Baptista de Castro, o Paulinho do Fogueteiro ou Paulinhozinho, é apontado como chefe do tráfico de drogas do Morro do Fogueteiro e Fallet, em Santa Teresa, na Região Central do Rio.

De acordo com as investigações do Ministério Público, o traficante recrutava os adolescentes da comunidade e os levava para trabalhar no tráfico. Ele também se destacava pela organização e também pela quantidade de dinheiro que a venda de entorpecentes gerava mensalmente, sendo um dos maiores contribuidores da "caixinha" do Comando Vermelho.

Paulo César também é apontado como o mandante do roubo de pelo menos quatro, roubos de joalherias na capital fluminense. O mesmo recorreu a isto, como uma medida de arrecadar mais dinheiro, pelo fato de haver uma unidade da UPP na região em que controlava a venda de drogas.

As ações desta manhã contam com o apoio de equipes dos Departamentos-Gerais de Polícia da Capital (DGPC), Especializada (DGPE), da Baixada (DGPB) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).