RJ: PM não enviou 40% das câmeras corporais solicitadas pela Defensoria
Defensoria Pública solicitou cerca de 2,5 mil gravações, mas não teve retorno de 500 utilizadas entre maio e dezembro de 2025 em três regiões do estado
A Polícia Militar do Rio de Janeiro não enviou cerca de 40% das imagens de câmeras corporais solicitadas pela Defensoria Pública do Estado, referentes a ações realizadas por agentes entre maio e dezembro de 2025 nas regiões de Benfica, Campo dos Goytacazes e Volta Redonda.
Ao todo, foram feitos cerca de 2,5 mil pedidos de acesso às gravações. Desse total, aproximadamente 1.500 solicitações foram atendidas com o envio das imagens, o que representa pouco mais de 60% dos casos. Em outros 337 pedidos, houve resposta da corporação, mas sem a disponibilização das gravações. Já cerca de 500 das solicitações não tiveram qualquer retorno, ou seja, em torno de 40%.
O relatório feito pela Defensoria também aponta que parte das ocorrências envolve agentes de outros órgãos de segurança, o que pode impactar a disponibilidade de registros por câmeras pela parte militar do Rio.
No Estado do Rio de Janeiro, desde 2021, há a Lei Estadual nº 9.298/2021, que determina a instalação de câmeras corporais nos uniformes de servidores públicos militares.
Segundo o defensor Pedro Paulo Gouvêa de Souza, a ausência dessas imagens pode comprometer eventuais julgamentos que necessitam da explicação do que de fato ocorreu naquele caso.
“As câmeras permitem registrar de forma mais fiel o que ocorreu em determinado caso. Essas imagens são anexadas ao processo, possibilitando que juiz, promotor e até a defesa assistam ao que de fato aconteceu. Quando não há esse recurso, é necessário recorrer à prova testemunhal, que não pode ser confrontada de forma integral com os fatos ocorridos no caso concreto”, explicou.
A CNN Brasil entrou em contato com a Polícia Militar para um posicionamento e aguarda retorno.
Médica morta durante perseguição policial: câmeras corporais estavam desligadas
Um dos casos de maior repercussão envolvendo câmeras corporais diz respeito à morte da médica Andrea Marins Dias, de 61 anos, em Cascadura, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Os equipamentos dos três policiais militares envolvidos na ocorrência estavam desligadas.
As imagens seriam fundamentais para auxiliar a Polícia Civil a esclarecer o que aconteceu no momento em que Andrea foi morta, no último domingo (15), após sair da casa dos pais em uma perseguição policial.
Segundo a Polícia Militar, análises preliminares dos setores técnicos da corporação apontaram que as baterias das câmeras corporais utilizadas pela equipe estavam descarregadas no momento da ocorrência.
Durante as diligências, a Polícia Civil refez o trajeto da viatura para reconstituir a dinâmica dos fatos e confrontar os dados da perícia com os depoimentos dos policiais militares.
A investigação já identificou marcas de tiros nos vidros dianteiro e traseiro do carro em que estava a médica. Imagens gravadas por um morador, minutos após o veículo ser atingido, mostram a movimentação dos policiais na abordagem. Andrea já estava morta.
*Sob supervisão de AR.


