RJ: Polícia mira esquema de extorsão de comerciantes para compra de farinha

Lojistas eram forçados a adquirir alimentos do grupo criminoso para manter comércios abertos

Larissa Soave, da CNN Brasil*, Roberta Camargo e Camille Barbosa, da CNN Brasil, em São Paulo
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Policiais civis do Rio de Janeiro deflagraram, nesta quarta-feira (3), uma operação que mira um grupo criminoso responsável por monopolizar o abastecimento de alimentos e extorquir comerciantes em áreas sob influência do crime organizado.

As investigações revelaram que o grupo usava intimidação, coação e controle territorial para obrigar comerciantes a comprar produtos, principalmente farinha e pão, apenas de fornecedores vinculados à milícia e a uma facção criminosa.

A ação foi realizada pela Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais) para cumprir mandados de busca e apreensão em endereços localizados nas zonas Oeste e Norte da capital.

 

As vítimas eram forçadas a comprar mercadorias em grande quantidade, muitas vezes mais do que era necessário, por valores acima dos comuns no mercado. As compras ocorriam sob ameaças constantes de retaliação, prejuízo financeiro e até fechamento dos estabelecimentos.

O foco do esquema, segundo a polícia, era a extorsão de pequenos e médios comerciantes, que se tornavam reféns da organização para manter seus negócios em funcionamento. Os crimes ocorriam especialmente na Baixada Fluminense e na Zona Oeste do Rio.

As investigações identificaram a existência de uma empresa utilizada para esconder a ilegalidade das atividades, possibilitando a distribuição de mercadorias e a movimentação financeira no esquema.

Também foi apontado que a exploração econômica relizada pelo grupo criminoso faz parte de uma estratégia de domínio territorial. As organizações ligadas à milícia e ao tráfico de drogas fortalecem seu poder ecônomico e controle por meio da influência sobre o comércio na região.

A operação busca apreender documentos, registros contábeis, aparelhos eletrônicos e outros elementos que possam aprofundar a investigação.

As diligências seguem em andamento para identificar todos os envolvidos, dimensionar toda a movimentação financeira do esquema e entender possíveis conexões com outros crimes.

*Sob supervisão de Rafael Saldanha