"Sabíamos da grande possibilidade de confronto", diz Castro sobre operação

Governador do Rio de Janeiro falou à CNN sobre a preparação para a ação desta terça-feira (28)

Fernanda Pinotti, da CNN Brasil
RJ - OPERAÇÃO CONTENÇÃO/RIO/CV/ALEMÃO/PENHA - GERAL - Megaoperação envolvendo cerca de 2.500 policiais civis e militares é deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça- feira, 28 de outubro de 2025. Batizada de "Operação Contenção", a ação visa capturar lideranças criminosas do Rio e de outros Estados e combater a expansão territorial do Comando Vermelho. Os dois complexos abrigam 26 comunidades, informou a Polícia Civil do Rio. 28/10/2025 - Foto: JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO  • CNN Brasil
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O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), falou sobre o planejamento para a megaoperação executada no estado em entrevista exclusiva à CNN Brasil nesta terça-feira (28).

"Sabíamos que havia uma grande possibilidade de confronto, mas esse confronto ocorreu muito mais em zonas de mato do que em zonas em que as pessoas moram", falou Castro.

"Foi uma operação extremamente planejada. É uma operação que começa com o cumprimento de mandado judicial, tem uma investigação de mais de um ano e um planejamento de 60 dias, com participação do Ministério Público", explicou ele. "Não é uma operação que alguém acordou e resolveu fazer."

A operação, que acumula 64 mortes – 60 suspeitos e 4 políciais – até o momento, já se tornou a mais letal da história do estado fluminense, segundo o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF).

Operação Contenção

A operação conjunta das Polícias Civil e Militar mobilizou cerca de 2.500 agentes, com o objetivo principal de frear o avanço territorial da facção Comando Vermelho e cumprir uma centena de mandados de prisão contra criminosos nos Complexos do Alemão e da Penha. Dentre os alvos, 30 são de outros estados, com destaque para membros da facção no Pará, que estariam escondidos nessas regiões.

A ação policial é resultado de mais de um ano de investigação conduzida pela DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes).

Até o momento, 81 pessoas já foram presas. Dentre elas, está um suspeito apontado como operador financeiro de Edgar Alves de Andrade, conhecido como "Doca" ou "Urso", um dos chefes do CV.

A intensidade dos tiroteios também causou vítimas entre agentes e moradores. Três moradores foram vítimas de bala perdida e socorridos no Hospital Getúlio Vargas. Pelo menos outros dois policiais também estão feridos após serem baleados.