Torcedor chileno é preso em flagrante por racismo em jogo do Fluminense

Baltazar Martin Garcês Lopez foi flagrado por seguranças privados do Maracanã imitando macaco para torcedores do time brasileiro

Rafael Saldanha, da CNN, em São Paulo
Compartilhar matéria

Um torcedor chileno foi preso em flagrante por fazer gestos racistas durante o jogo entre Fluminense e Unión Española, pela Copa Sul-Americana, na noite desta quarta-feira (14). 

Baltazar Martin Garcês Lopez foi flagrado por seguranças privados do Maracanã imitando um macaco para torcedores do time brasileiro. O Batalhão Especial de Policiamento em Estádios (BEPE) foi acionado e os policiais verificaram as imagens geradas no Centro de Comando e Controle do estádio. 

Em seguida, o homem foi conduzido a uma audiência de custódia no Juizado Especial do Torcedor que, a pedido da promotora de Justiça de plantão, converteu a prisão em flagrante do acusado em preventiva.

A prisão do chileno ocorreu no dia de lançamento da campanha Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) “Estamos Vigilantes”, uma ação inédita de prevenção e repressão ao racismo durante as partidas de torneios internacionais realizadas no Rio de Janeiro. 

“Os torcedores e torcedoras que comparecerem aos estádios e arenas esportivas do Rio de Janeiro terão o Ministério Público ao seu lado, atuando para punir autores de eventuais crimes e garantir acesso rápido, célere e direto à Justiça”, afirma o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, idealizador do Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST).

Promotores de Justiça estarão presentes em todos os jogos nos estádios cariocas para monitorar as arquibancadas e atuar em casos de flagrante ou denúncia de atos racistas e xenofóbicos. 

“Estamos Vigilantes”

A campanha do Ministério Público também destaca a importância da participação ativa dos torcedores e profissionais envolvidos nas partidas na construção de um ambiente seguro e respeitoso.

O órgão enfatiza que denunciar é dever de todos. A iniciativa reúne jogadores dos principais clubes cariocas, torcedores, jornalistas, profissionais de segurança e serviços que atuam nos estádios e promotores de Justiça. 

O MPRJ orienta que qualquer pessoa que presencie um ato de discriminação se manifeste imediatamente, acionando policiais militares, a segurança do estádio ou o promotor de Justiça de plantão no Juizado do Torcedor.

A iniciativa contou com o apoio da Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (DEDIT/CI2) do MPRJ. Os peritos realizaram visitas técnicas aos estádios para avaliar o sistema de câmeras e sugerir melhorias para o monitoramento e reconhecimento dos autores.

A ação também conta com o apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Confederação Sul-Americana (CONMEBOL).