Traficante do CV que extorquia empresas liderou ataque à delegacia no RJ

Joab da Conceição Silva foi alvo de uma nova ação da Polícia Civil, nesta quinta-feira (27), contra um esquema que extorquia empresas que atuam no entorno da Refinaria Duque de Caxias (Reduc)

Cleber Rodrigues e Camille Couto, da CNN Brasil, no Rio de Janeiro
Da esquerda para a direita: pastor Claudio Correa da Silva e traficante Joab da Conceição Silva  • Reprodução
Compartilhar matéria

Joab da Conceição Silva, traficante do CV (Comando Vermelho), é investigado pela PCERJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro) pelo ataque à 60ª DP (Duque de Caxias), em fevereiro de 2025. O criminoso foi alvo de uma operação da DRE-CAP (Delegacia de Repressão a Entorpecentes) contra um esquema que extorquia empresas no entorno da Reduc (Refinaria Duque de Caxias), na Baixada Fluminense (RJ), nesta quinta-feira (27).

De acordo com as investigações, Joab ordenou a invasão à delegacia para resgatar dois traficantes. Ao menos dez bandidos cercaram a unidade e abriram fogo. Dois policiais reagiram e, mesmo baleados, conseguiram impedir a invasão. No fogo cruzado, a entrada da distrital ficou destruída.

“Joab é um narcoterrorista de extrema periculosidade que está foragido, mas é questão de tempo para que a polícia possa capturá-lo. Hoje, acabamos por interromper elos financeiros dele e desarticular essa estrutura que vinha trazendo muitos lucros para a facção”, disse Moysés Santana, delegado titular da DRE-CAP.

Segundo a investigação, empresas que atuam na área industrial estariam sendo pressionadas a realizar pagamentos periódicos sob ameaça de ataques, interrupção das atividades e violência contra funcionários.

Relatos reunidos pela polícia e documentos oficiais indicam que algumas empresas chegaram a suspender temporariamente suas atividades em razão das ameaças. Ainda conforme a investigação, sindicatos e associações estariam sendo utilizados para pressionar empregadores e interferir em processos internos.

A apuração indica que o grupo seria liderado por Joab da Conceição Silva, apontado como chefe do tráfico na região e integrante do CV, e por um pastor que se apresentava como líder comunitário e religioso. De acordo com os agentes, esse homem comparecia às empresas como um suposto representante local, transmitindo exigências atribuídas ao grupo, como restrições à circulação de caminhões e ingerência em contratações.

Pastor identificado como Claudio Correa da Silva, que se apresentava como líder comunitário e religioso, mas atuava como intermediador do tráfico nas ações de coação empresarial • Reprodução
Pastor identificado como Claudio Correa da Silva, que se apresentava como líder comunitário e religioso, mas atuava como intermediador do tráfico nas ações de coação empresarial • Reprodução

Durante a ação, três pessoas foram presas; e, entre elas, o pastor. Também foram apreendidas duas motos avaliadas em mais de R$ 30 mil, além de outros materiais.

Polícia investiga pastor e grupo por extorsões na Baixada Fluminense (RJ)

Segundo a polícia, o pastor foi detido no início deste mês, em Betim (MG), com uma pistola, granadas artesanais, munição e dinheiro.

De acordo com os agentes, ele confessou ter levado os artefatos desde Duque de Caxias para realizar ações de intimidação e interrupção de serviços na Regap (Refinaria Gabriel Passos), em Minas Gerais, sob o argumento de atender a um movimento grevista organizado por sindicatos alinhados ao grupo criminoso.

“Através do pastor Cláudio, eles constituíam falsas associações e sindicatos para ir até as empresas e chantageá-las sob pena de serem represadas, sofrerem sanções e terem até as atividades interrompidas”, explicou o delegado da DRE-CAP, Moysés Santana.

Quem é Joab da Conceição Silva

Criminoso ligado ao CV, Joab da Conceição Silva segue sendo procurado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro • Reprodução/Redes sociais
Criminoso ligado ao CV, Joab da Conceição Silva segue sendo procurado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro • Reprodução/Redes sociais

Joab é apontado como chefe do tráfico pelo CV na comunidade Rua Sete, em Duque de Caxias, e é ligado à organização criminosa de Felipe Pereira dos Santos, o “Jack Cargas”. O criminoso também seria responsável por liderar disputas territoriais entre facções rivais na região.

Em outubro de 2019, Joab cumpria pena em regime semiaberto no Instituto Penal Vicente Piragibe. Entretanto, após obter o benefício da “saidinha”, não retornou à unidade prisional.

O suspeito deu entrada pela primeira vez no sistema carcerário em fevereiro de 2012. Em sua ficha criminal, constam 55 passagens pela polícia por crimes como tráfico, associação para o tráfico, porte ilegal de arma, extorsão, roubo de carga e receptação.