“A mãe é quentona": vendedora de doces é condenada por roubar iraquiano
Ameer Sedeeq Mustafa foi obrigado a fazer transferências via Pix e ameaçado com uma arma de choque; Iasmin Tomaz Discher se diz integrante da facção criminosa PCC

A jovem Iasmin Tomaz Discher foi condenada pela Justiça de São Paulo a dez anos e oito meses de prisão em regime fechado após roubar e extorquir um militar iraquiano em junho deste ano, quando ela estava a caminho da Parada LGBTQIA+. A vítima foi identificada como Ameer Sedeeq Mustafa.
Iasmin conheceu a vítima na Avenida Paulista, quando se aproximou alegando que vendia brigadeiros. Ameer, que mal falava português, teve que usar um aplicativo de tradução para conseguir conversar com ela.
Após uma rápida conversa entre os dois, a vítima aceitou ir a um jantar com o iraquiano. Depois do encontro, Iasmin pediu que Ameer a levasse até a estação Vila Sônia do Metrô, por conta do horário.
Já dentro do carro da vítima, quando estavam na Rua Heitor dos Prazeres, número 318, bairro Vila Sônia, local solicitado pela ré, ela pediu que Ameer solicitasse uma corrida de aplicativo para que ela fosse pra casa.
Segundo a vítima, neste momento ela “se transformou em bicho” e começou a gritar com ele.
Além disso, lhe apontou um “taser” no pescoço e aplicou um choque elétrico. A ré ainda tentou colocar um pano no rosto de Ameer com um “odor forte”, mas ele conseguiu desviar.
Assustado, Ameer parou o carro pensando que Iasmin estivesse com algum comparsa e logo depois fez uma transferência de cerca de R$450, que segundo ele era tudo o que tinha em sua conta bancária e que ainda deu R$1.500 em espécie.
Iasmin também teria levado dois cartões bancários e a carteira de habilitação iraquiana de Ameer.
Assim que fez o Pix, a vítima tomou a arma de choque da mão da ré, a jogou no carro, tirou a chave do contato e desceu do carro, pedindo que a ré também saísse do veículo. Em seguida, Iasmin procurou a arma de choque no carro, a pegou e foi embora.
No depoimento, o militar relata que ao chegar em casa acessou o Instagram de Iasmin, que havia postado um vídeo que informava tudo o que havia acontecido. No vídeo ela relata que havia acabado de roubar um homem em um carro.
Mulher é presa em MG por aplicar golpe do “Boa Noite, Cinderela” no RJ
No vídeo, Iasmin aparecia usando uma touca balaclava e afirma que tem ligação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Aqui é 1533 fio, nois não é filho de pai assustado, muito menos gelado na caminhada
O número 1533 é comumente usado para se referir a facção porque o número 15 representa a letra "P" e o número 3 representa a letra "C" no alfabeto, formando a sigla PCC.
Iasmin afirma que era para estar presa e que tinha a habilidade de roubar apenas com uma “arminha” de choque.
Que boqueta, c****. Que boqueta, truta. Cê é loco, mano! Era para eu tar presa agora, mano, mas tá ligado que a mãe é quentona aqui, consegue roubar com uma arminha de choque
No relato ela confessa o uso da arma de choque e diz que falou: “Faz o Pix, a********, senão eu vou te deitar aqui mesmo”.
A prisão preventiva de Iasmin foi decretado em julho de 2025 e ela foi detida em agosto após diligências de equipes do 5º Distrito Policial de Osasco e de acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo). A touca usada na gravação do vídeo foi localizada na casa dela.
Em seu depoimento, ela diz que ao encontrar Ameer, ele teria se oferecido para comprar todos os brigadeiros, o que totalizaria R$500.
Segundo ela, eles teriam ficado no carro por aproximadamente três horas e a vítima teria dito à ré que estava apaixonada por ela, que queria se casar com ela e teria começado a alisar seu corpo. Iasmin teria contestado o militar, dizendo que queria seu dinheiro e que queria ir embora.
A vítima teria dito que não tinha o dinheiro e a ré tinha ficado nervosa com isso e começado a chorar, dizendo que tinha perdido tempo com a vítima, que não tinha vendido seus brigadeiros e que queria o dinheiro.
Grupo que usa falso site do governo para aplicar golpes é alvo de operação
A ré negou os crimes e alegou que foi vítima de assédio por parte de Ameer. Ela relata que os dois conversavam dentro do carro e que ele se alterou e a forçou a dar abraços e beijos nele. Segundo ela, o militar não quis a pagar pelos doces. Ele nega todas as acusações.
Ela afirma que chegou a usar o "taser" para se defender, mas que não atacou o iraniano. Iasmin justifica que estava com a arma pois realizava vendas nas ruas há cerca de três anos e que tinha muito medo de ser roubada ou estuprada.
Ela também confirmou que recebeu a transferência do dinheiro, mas que não o brigou a realizá-la.
Iasmin contou que a vítima lhe deu R$69 e depois mais R$450. Em relação ao dinheiro que estava na sua casa, alegou que uma semana antes dos fatos, perdeu seu celular e tirou todo o dinheiro que tinha em sua conta bancária, que totalizava R$1.990.
A ré afirma que postou o vídeo em alusão ao PCC como forma de indireta e que a ganhou a touca utilizada do seu pai. Ela diz que foi uma "burrice" ter feito alusão à facção durante a gravação.
Nos autos do processo, ela foi descrita com uma "personalidade desvirtuada" e "periculosidade". O argumento foi baseado na gravidade do crime cometido e no fato de a própria ré, em seus vídeos, dizer pertencer à facção criminosa PCC.
A juíza descreveu o método de Iasmin como um "golpe" já conhecido nos meios policiais. Mostrando-se doce e sedutora, arruma uma forma de ficar a sós no carro e, então, aplica o golpe utilizando a arma branca.
Iasmin foi condenada pelos crimes de roubo e extorsão em regime inicial fechado. A pena foi estabelecida em dez anos e oito meses de reclusão, além de pagamento de multa.
A decisão da condenação da ré foi expedida pela juíza Lilian Lage Humes da 9ª Vara Criminal do Foro Central Criminal Barra Funda.
A CNN Brasil tentou contato com a defesa de Iasmin, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.
*Sob supervisão de AR.


