Aeroportos de São Paulo têm pelo menos 298 voos cancelados após vendaval

Rajadas de vento foram causadas por um ciclone extratropical e chegaram a quase 100 km/h;

Vitor Bonets e Bruna Lopes, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Mais de 340 voos foram cancelados entre quarta-feira (10) e a manhã desta quinta-feira (11) nos dois principais aeroportos de São Paulo após as rajadas de vento que atingiram o estado.

No Aeroporto de Congonhas, na zona Sul da capital, 248 foram voos afetados, com 181 cancelamentos na quarta e 117 somente na manhã desta quinta.

Já no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, entre a quarta-feira e a madrugada desta quinta, 61 chegadas e 56 partidas foram canceladas, totalizando 117 voos impactados.

Segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), os ventos fortes foram causados por um ciclone extratropical que atinge as regiões Sul, Centro-oeste e Sudeste do país e provocaram alerta meteorológico em 9 estados. A expectativa é de que as condições melhorem entre esta quinta e sexta-feira (12).

Apesar dos transtornos, a Aena informou que o Aeroporto de Congonhas permanece aberto para pousos e decolagens nesta manhã. A GRU Airport, concessionária que administra o Aeroporto de Guarulhos, também informou que as operações funcionam normalmente hoje.

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Em contato com a CNN Brasil, companhias aéreas se posicionaram sobre os cancelamentos de voos. Em nota, a GOL disse que, nesta quinta-feira, as operações seguem regulares nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos.

"Para maior comodidade, clientes impactados pelos atrasos e cancelamentos de ontem (10/12) que tenham disponibilidade para alterar seu voo podem fazê-lo sem custos adicionais. A mudança é autorizada dentro da validade do bilhete, mantendo a mesma origem e destino, e não é necessário comparecer ao aeroporto para realizá-la", afirmou a empresa.

Já a Latam afirmou que "lamenta os transtornos causados por essa situação totalmente alheia ao seu controle e reforça o seu compromisso com a segurança em todas as suas operações e decisões."

"O cliente de voo com origem, destino ou conexão em São Paulo que não foi cancelado entre 10 e 12 de dezembro também pode alterar a data de sua viagem sem custo até 15 dias depois", completou em nota.

A Azul também informou que diversos voos precisaram ser cancelados ou alternados para outros aeroportos. Além disso, lamentou o ocorrido.

A empresa ainda afirmou que "os clientes com passagens emitidas para os dias 11 e 12 de dezembro poderão alterar suas viagens até o dia 18 de dezembro gratuitamente ou, ainda, se optarem pelo cancelamento do voo, manter o crédito integral do valor pago para utilizar em outra oportunidade, em até 1 ano a partir da data de emissão do bilhete."

Estragos pelo estado e reflexos do ciclone

Após o ciclone extratropical que atingiu diversas regiões da capital e da Grande São Paulo, o estado amanheceu com cerca de 1,5 milhões de pessoas sem energia elétrica em suas residências. Ao menos 2 milhões de clientes tiveram o fornecimento afetado desde o começo do vendaval.

Neste momento, de acordo com o mapa de fornecimento de energia da Enel, 1.508.904 pessoas sofrem com a falta de luz, o que representa cerca de 17,74% do total de clientes atendidos pela concessionária.

Segundo a Enel, a capital paulista lidera com o maior número de pessoas sem luz, ultrapassando 1 milhão de unidades consumidoras.

À CNN Brasil, a Enel Distribuição São Paulo informou que foram mobilizados, antecipadamente, mais de 1.500 equipes ao longo de quarta-feira para operar no restabelecimento dos 2 milhões de clientes com o fornecimento elétrico afetado. De acordo com a concessionária, desde ontem até a manhã desta quinta-feira, cerca de 500 mil clientes afetados tiveram a energia religada.

A empresa reiterou ainda que geradores foram disponibilizados pela companhia para o atendimento de ocorrências mais graves.

A Enel diz que trechos inteiros da rede foram danificados devido ao vendaval que derrubou árvores e lançou galhos e outros objetos sobre a rede elétrica, o que impactou diretamente o fornecimento de energia em diversos pontos.

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Queda de árvores

Segundo o Corpo de Bombeiros, foram 1.642 chamados para quedas de árvore na capital e Grande São Paulo durante toda a quarta-feira (10).

Na manhã desta quinta (11), no período das 0h00 às 7h39, na capital e região metropolitana de SP, foram registrados 46 chamados para quedas de árvores.

Um dos troncos caídos afetou a Japan House, casa de exposições de cultura japonesa localizada na avenida Paulista, na capital. Em um comunicado publicado nas redes sociais, o estabelecimento informou que as atividades previstas foram canceladas na quarta-feira.

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Ciclone extratropical

O ciclone extratropical que atingiu o estado de São Paulo, trazendo um forte vendaval nesta quarta-feira (10), deixou milhões de pessoas sem energia e água, além de ter provocado uma série de transtornos, como trânsito intenso, falhas no transporte público e queda de árvores.

Em Campos do Jordão, um homem morreu após o deslizamento de um imóvel, nesta quarta-feira (10).

De acordo com o Inmet, o fenômeno durou cerca de 12 horas e gerou rajadas de vento que chegaram a 98 km/h.

A Defesa Civil emitiu um alerta para São Paulo alertando sobre os efeitos do ciclone, que começaram ainda na segunda-feira (8). Um gabinete de crise foi montado para acompanhar o evento climático.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo