Casal preso fingia recrutar modelos para abusar e extorquir vítimas em SP

Ação do DHPP identificou 11 vítimas, incluindo menores de idade; criminosos se passavam por produtores de agências de modelo e por representantes de grandes marcas

Guilherme Rajão, da CNN Brasil, em São Paulo
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A PCSP (Polícia Civil de São Paulo) prendeu um casal suspeito de comandar uma rede de crimes cibernéticos e sexuais que vitimou ao menos 11 pessoas, entre elas adolescentes.

A operação “Scam Models”, deflagrada na última quinta-feira (31), foi conduzida pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do DHPP e teve como alvo Amanda Morais do Nascimento e Eri Franklin Brandão Cavalcante, detidos em casa, na zona leste da capital.

Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores apreenderam celulares, notebooks, HDs, pendrives, roteadores e dezenas de chips telefônicos, todos usados para a prática dos crimes. Segundo a polícia, parte dos equipamentos funcionava em um dos imóveis do casal, que servia como um verdadeiro “escritório” para golpes digitais.

Veja o momento da prisão da dupla:

As análises iniciais revelaram conversas, comprovantes de transferências via PIX, fotos e vídeos íntimos das vítimas, o que confirmou o modo de atuação do grupo.

As investigações apontam que os suspeitos se passavam por produtores de agências de modelo e marcas conhecidas, como Mega Model e SHEIN, para enganar jovens interessadas em oportunidades na área da moda e da publicidade.

Após o primeiro contato, o casal enviava links e aplicativos falsos que instalavam programas espiões (malwares) nos celulares das vítimas. Com o acesso remoto a imagens e dados pessoais, eles chantageavam as vítimas, ameaçando divulgar o conteúdo íntimo em troca de novos vídeos e fotos.

De acordo com o DHPP, os crimes configuram estupro de vulnerável em ambiente virtual, extorsão, pornografia infantojuvenil e invasão de dispositivo informático.

As investigações também descobriram que o casal aplicava golpes de “falso advogado” em estados do Nordeste, usando documentos e cadastros falsos para obter informações bancárias e pessoais de outras vítimas.

Segundo a PCESP, o grupo atuava de forma estruturada desde 2022, movimentando dinheiro e dados de vítimas em diferentes regiões do país.

Em nota, o DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa ) afirmou que a operação “Scam Models” representa um avanço no combate a crimes cibernéticos, sexuais e patrimoniais praticados contra crianças, adolescentes e mulheres, reforçando o compromisso da instituição em enfrentar organizações criminosas que usam a tecnologia para violar direitos e destruir vidas.