Caso Gisele: Justiça adia interrogatório do tenente-coronel
A defesa de Geraldo Leite Rosa Neto, réu por feminicídio da ex-companheira, pediu diligências complementares no TJSP

O interrogatório do Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado pelo feminicídio da soldado e sua esposa Gisele Alves Santana foi adiado pelo TJSP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), nesta sexta-feira (4), com previsão de realização para o dia cinco de outubro deste ano.
De acordo com o documento do tribunal sobre a prorrogação do interrogatório, a decisão foi tomada a partir de um pedido da defesa do Tenente que pediu para juntar autos diligências complementares para o inquérito.
O despacho explica que a solicitação foi aceita para garantir que o réu tenha direito de defesa, marcando um novo interrogatório, com um prazo improrrogável de 20 dias. Assim, o interrogatório do Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto está previsto para acontecer no dia cinco de outubro de 2026.
Nesse período, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) também manteve a prisão preventiva do tenente-coronel em decisão foi publicada no DJEN (Diário de Justiça Eletrônico Nacional), na quinta-feira (27), após um pedido de habeas-corpus da defesa.
Réu por feminicídio
A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, na região central de São Paulo, no último dia 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.
D acordo com o MP, após o crime o oficial teria tentado simular um suicídio ao posicionar a arma na mão da vítima e alterar a cena para induzir a investigação a erro.
Laudos periciais apontam inconsistências na versão apresentada pela defesa. As investigações identificaram vestígios de sangue nas roupas do acusado e indícios de que ele teria tomado banho após o crime para eliminar provas.
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Para o Ministério Público, o homicídio foi praticado por motivo torpe, relacionado ao sentimento de posse e à recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento. A denúncia também afirma que Gisele foi surpreendida, sem possibilidade de defesa, circunstância que qualifica o crime.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, marido de Gisele, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.
O que dizem as defesas
A defesa do tentente-coronel, composta pelo advogado Eugênio Malavassi, afirmou que analisa a reposta do Instituto de Criminalística sobre os quesitos apresentados no laudo, juntamente com o assistente técnico.
A defesa técnica dos familiares de Gisele, por sua vez, reiterou que "jamais teve dúvidas de que a morte foi resultado de um feminicídio".
Para o advogado Miguel Silva, o laudo complementar reforça as provas já existentes e confirma que Gisele foi assassinada pelo tenente-coronel, apontado como como autor do crime.

