Caso VaideBet: Polícia indicia ex-diretor jurídico do Corinthians

Polícia aponta crime de omissão imprópria na conduta de Yun Ki Lee

Raul Moura, da CNN, em São Paulo
Yun Ki Lee, ex diretor jurídico do Corinthians  • LBCA Advogados
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A Polícia Civil de São Paulo indiciou, nesta segunda-feira (23), mais um ex-dirigente do Corinthians no inquérito do caso VaideBet. Trata-se de Yun Ki Lee, que foi diretor jurídico do clube do Parque São Jorge.

Yun Ki Lee foi indiciado por omissão imprópria. De acordo com a investigação, ele era o responsável pela verificação cadastral da empresa Rede Social Media Desing, de Alex Cassundé, que foi a intermediária do negócio entre Corinthians e VaideBet.

O presidente afastado do Corinthians, Augusto Melo, o ex-diretor administrativo do clube, Marcelo Mariano, o ex-superintendente de marketing Sérgio Moura e o empresário Alex Fernando André, conhecido como Cassundé, foram indiciados por associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro na mesma investigação.

Com o inquérito policial finalizado pelo delegado Thiago Fernando Correia, as partes aguardam agora decisão do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que pode ou não oferecer denúncia.

Defesa de Yun Ki Lee

Após a publicação da reportagem, a defesa de Yun Ki Lee divulgou nota oficial. Leia abaixo.

"O indiciamento de Yun Ki Lee constitui afronta ao Direito e aos fatos. Ouvido como testemunha em julho de 2024, portanto sob o compromisso de dizer a verdade e nada omitir, Yun falou tudo o que sabia sobre os fatos e sua participação na elaboração do contrato de patrocínio com a VaideBet, na condição de Diretor Jurídico do Corinthians.

Fez tudo para preservar os interesses do Clube, o que incluiu a pesquisa cadastral das pessoas físicas e jurídicas envolvidas; incluiu também inserção de cláusula de fiança prestada pelo representante legal da VaideBet no Brasil e de sua esposa.

Yun não participou das negociações comerciais, e por isso somente recebeu os dados que deveriam constar do contrato, inclusive os da empresa intermediadora e de seu representante. Verificou que o CNAE da empresa não incluía a atividade de intermediação, mas, em sua opinião jurídica, isso não era impeditivo, pois havia outras atividades relacionadas que permitiriam a atuação, como esclareceu ao ser ouvido, o que também fez o então Diretor Jurídico Adjunto, igualmente na condição testemunha.

Tampouco tem importância o capital social da empresa, porque, obviamente, para realizar uma intermediação, esse item é absolutamente irrelevante. Yun nunca mais foi chamado a depor, nem lhe foi oficialmente comunicada a decisão abusiva de transformá-lo em investigado, do que veio a saber por matéria jornalística.

Em razão disso, seus advogados pediram acesso aos autos, tendo o Delegado de Polícia chegado a despachar que não poderia encerrar o inquérito sem que esse acesso fosse dado, para que então Yun pudesse exercer sua defesa – embora, diga-se, nenhum fundamento tenha sido indicado para que ele fosse tratado como investigado.

Foi apresentada manifestação defensiva, com juntada de documentos comprobatórios das alegações feitas, mas, surpreendentemente, já no dia seguinte sobreveio despacho de indiciamento, cujo fundamento está apenas no título, porque é peça rasa, antijurídica e contrária aos elementos dos autos.

O despacho nem mesmo se refere ao conteúdo da petição de Yun, muito menos os tenta rebater, numa evidência de que já estava pronto e seria lançado fosse qual fosse a manifestação defensiva. Ao contrário de se omitir, Yun agiu e o fez como advogado, não lhe cabendo responsabilidade pela escolha das partes no contrato. Seguramente, o Poder Judiciário corrigirá tal ignomínia, para restabelecer a ordem jurídica aviltada pelo indiciamento obrado."

Relembre o caso

Em 7 de janeiro de 2024, Augusto Melo, anunciou o maior contrato de patrocínio máster do futebol brasileiro com a casa de apostas VaideBet, com três anos de duração. Porém, após cinco meses, a patrocinadora rescindiu o contrato com o clube do Parque São Jorge por conta da suspeita de um laranja no contrato firmado entre as partes.

No dia 22 de maio deste ano, a Polícia Civil de São Paulo indiciou o presidente do Corinthians, Augusto Melo, e mais três pessoas pelos crimes de furto, lavagem de dinheiro e associação criminosa em contrato com a casa de apostas VaideBet.

Conforme revelado por reportagem da CNN, um relatório de análise das movimentações financeiras, elaborado pelo delegado Tiago Fernando Correia, responsável pelo caso, apontava que parte do patrocínio da empresa VaideBet foi repassado pelo intermediário Cassundé até chegar em uma conta vinculada ao PCC.

Pelo menos R$ 870 mil foram parar na conta da UJ Football Talent, intermediação citada por Vinícius Gritzbach, morto em novembro de 2024, no Aeroporto de Guarulhos, em delação feita com promotores de Justiça sobre contas laranjas da organização criminosa.

Ainda de acordo com o delegado, conforme publicado pela CNN, o pivô do caso VaideBet, Alex Cassundé esteve no Parque São Jorge, sede do Corinthians, no dia em que começou a repassar valores da comissão recebida à empresa laranja.

No dia 26 de março, o Conselho Deliberativo do Corinthians votou pelo afastamento imediato de Augusto Melo. Além de gestão temerária, citando contratos sem licitação, ausência de documentos e falta de balancetes auditados, o Caso VaideBet foi fator fundamental.

A assembleia geral dos associados, que vai decidir pela destituição ou não de Augusto Melo, acontecerá no dia 9 de agosto, das 9h às 17h, no Parque São Jorge, sede social do clube