Como a ciência tecnológica pode redefinir os limites planetários? Entenda

Durante a São Paulo Climate Week 2026, especialistas debateram como o uso de inteligência artificial e a digitalização de processos são fundamentais para a mitigação e adaptação aos efeitos climáticos

Beto Souza, da CNN Brasil, em São Paulo
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A terceira edição da São Paulo Climate Week (SPCW), que começou nesta segunda-feira (3) em São Paulo, trouxe para o centro do debate a agenda climática na América Latina.

Entre os temas discutidos nesta terça (4), a aplicação da tecnologia climática e o uso de inteligência artificial (IA) ganharam destaque como ferramentas essenciais para transformar dados brutos em decisões estratégicas.

Especialistas apontam que a ciência tecnológica não apenas monitora, mas estabelece parâmetros práticos para que empresas e governos operem dentro dos limites de resiliência do planeta.

Dados em tempo real e resposta a crises

A transição do discurso teórico para a aplicação prática foi um dos eixos do painel "Tecnologia Climática: Do Dado à Decisão Prática". Um exemplo de eficácia tecnológica foi o caso que utilizou IA para processar 136 mil mensagens simultâneas durante eventos de crise climática.

A tecnologia permitiu priorizar atendimentos críticos, como o de residências com pessoas dependentes de aparelhos de oxigênio, otimizando a logística em situações de falta de energia.

Além da gestão de crises, a digitalização de processos tem gerado impactos mensuráveis na redução do consumo de recursos.

Apenas no último ano, uma das soluções apresentadas resultou na digitalização de 52 milhões de faturas, eliminando a necessidade de impressão e transporte físico desses documentos.

Esse movimento evita o deslocamento de funcionários e clientes, reduzindo a pegada de carbono associada à logística tradicional.

O dilema ambiental dos data centers

Apesar dos benefícios, o setor de tecnologia enfrenta críticas quanto ao impacto ambiental de seus data centers, que demandam alto consumo de água e energia. No entanto, discussões na SPCW indicam que o impacto positivo gerado pelas ferramentas tecnológicas pode ser até dez vezes superior aos danos colaterais de sua operação.

A análise defende que a tecnologia deve ser vista como uma aliada na descarbonização da indústria e na criação de cidades resilientes.

A proposta central é a conexão entre ciência climática e inovação para transformar alertas em ações concretas. Para os especialistas, a decisão humana permanece soberana, mas agora deve ser embasada em dados em tempo real para garantir que a adaptação climática ocorra de forma justa e ágil.