“Difícil não perder a fé na humanidade", diz Janja após morte de Tainara

Primeira-dama publicou uma nota nas redes sociais, prestando solidariedade para a família da jovem arrastada pela Marginal afirmando que seu compromisso é lutar pelo fim da violência contra mulher

Yasmin Silvestre, da CNN Brasil*, Thiago Félix, da CNN Brasil, São Paulo
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A primeira-dama do Brasil, Janja Lula, lamentou a morte de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que faleceu na véspera de natal, quarta-feira (24), após passar 25 dias internada depois de ter sido atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê, na região da Vila Maria, zona norte da capital paulista.

Em uma publicação feita nas redes sociais, Janja diz ser “difícil não perder a fé na humanidade” e afirma que o que aconteceu com Tainara não é um “caso isolado” e sim um “retrato de violência” no país.

“Confesso que às vezes, em situações como essa, é difícil não perder a fé na humanidade. Mas escolho sempre acreditar na construção de um país onde o medo não nos paralise e não nos impeça de viver plenamente nossas vidas. Um país onde mulheres e meninas sejam livres para realizar seus sonhos e se sentirem seguras nas ruas, em casa, no trabalho, nas escolas e nos espaços de lazer”, diz Janja.

A primeira-dama finaliza a publicação prestando solidariedade para a família da jovem e reitera o pedido de lutar pelo fim da violência contra mulher.

“Não podemos normalizar ameaças, agressões e controles, nem fechar os olhos para pedidos de ajuda. Quando uma mulher é morta apenas por ser mulher, algo que acontece todos os dias em nosso país, falhamos como humanidade e como sociedade. E é justamente por isso que a resposta precisa ser coletiva”
Janja Lula, primeira-dama

Tainara estava internada no Hospital das Clínicas desde o dia 3 de dezembro e passou por mais de quatro procedimentos cirúrgicos, entre eles a amputação das duas pernas abaixo da linha do joelho.

O autor do crime, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, virou réu, no último dia 6, por tentativa de feminicídio. Agora, ele responderá por feminicídio consumado. Ele está detido no Centro de Detenção Provisõria II de Guarulhos (SP).

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Velório marcado por protestos.

A cerimônia de despedida de Tainara foi marcada por protestos de manifestantes e familiares sobre a violência contra a mulher, nesta sexta-feira (26), no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, zona Leste de São Paulo.

Com faixas e cartazes exigindo justiça, os familiares manifestaram apoio ao endurecimento das punições para casos de feminicídio.
“Tainara não foi a última. Feminicídio é algo grave, virou pandemia”, afirmou uma manifestante do Movimento Mulheres da Várzea, que esteve presente com faixas e bandeiras de protesto no velório.

Relembre o caso

Um vídeo obtido pela CNN Brasil mostra a vítima andando na rua com um homem, na manhã do dia 29 de novembro.

A dupla sai do ângulo da câmera de segurança e, 30 segundos depois, a câmera flagra o atropelamento. O motorista, identificado como Douglas Alves da Silva, de 26 anos, não só atropela, mas passa por cima da mulher com o carro e a arrasta pela rua.

Um segundo vídeo, feito por uma pessoa que dirigia na Marginal Tietê, mostra o homem arrastando a mulher por uma longa distância na avenida.

Douglas foi preso no dia seguinte do crime, domingo (30). O suspeito foi abordado por agentes em um hotel da Vila Prudente, na zona Leste da capital paulista, onde estava hospedado.

Contradições

A principal divergência entre as declarações do autor para a polícia é a natureza da relação entre Douglas e a vítima.

Em um vídeo gravado após sua prisão, Douglas afirmou que não conhecia ela e que o atropelamento teria sido um engano, buscando atingir apenas o rapaz que a acompanhava após uma confusão e ameaças. Douglas negou ser ex-ficante da jovem, classificando a história como "mentira da internet".

No entanto, o amigo do suspeito, que estava com ele dentro do carro, afirmou que Douglas e a vítima já haviam tido um relacionamento ou que o homem conversava com a vítima no bar instantes antes.

O amigo acrescentou que Douglas ficou enfurecido ao ver Tainara conversando com outro rapaz na festa, e que a discussão que antecedeu o atropelamento foi motivada por ciúmes. O relato é considerado peça-chave pela investigação para compreender a dinâmica do crime.

*Sob supervisão de Thiago Félix