Esquema de licitações: "Pagodeiro do PCC" acumula processos trabalhistas

Empresário Vagner Borges Dias, possui o nome artístico "Latrell Brito" e é apontado como o 'cabeça' do esquema de fraudes do PCC

Beto Souza, da CNN, em São Paulo
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Vagner Borges Dias, conhecido artisticamente como "Latrell Brito" e apontado como o 'cabeça' do esquema de fraudes do PCC em licitações, não acumula apenas sentenças criminais que somam mais de 50 anos de prisão, mas também uma série de processos na Justiça do Trabalho movidos por ex-funcionários.

Documentos judiciais trabalhistas revelam que empresas ligadas a Vagner foram condenadas ou alvo de execução por falta de pagamento de verbas rescisórias, FGTS e multas a seus ex-empregados em contratos de terceirização com prefeituras.

Em um processo, por exemplo, a Justiça de Cubatão determinou o bloqueio imediato de R$ 20 mil para cobrir verbas rescisórias e multas.

Outra decisão reconheceu a responsabilidade solidária — quando uma empresa é obrigada a se comprometer com um processo, mesmo que não seja diretamente ligada à ele — de cinco empresas ligadas a Vagner por pagamentos de salários, aviso prévio, férias, 13º salário, diferenças de FGTS + 40%, PLR, adicional de insalubridade e multas.

Em um processo na Vara do Trabalho de Registro/SP, foi celebrado um acordo de R$ 8 mil, que posteriormente foi motivo de recursos e novas ações para execução do crédito.

'Pivô' em esquema de licitações

Vagner Borges Dias foi o ponto central da investigação que conectou empresas ao PCC em fraudes de licitações no estado de São Paulo. A Operação Munditia, do Ministério Público, revelou que o grupo simulava disputas em pregões de mais de R$ 200 milhões em municípios da Grande São Paulo e do interior.

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Conversas interceptadas mostram Vagner e seus supostos sócios acertando previamente licitações, definindo a desclassificação de concorrentes, e discutindo a divisão de valores e propinas a agentes públicos.

O que sabemos sobre 'Pagodeiro do PCC'

Vagner Borges Dias, que utiliza o nome artístico "Latrell Brito", é um cantor de músicas melódicas com mais de 900 mil seguidores em redes sociais.

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Ele é suspeito de integrar um vasto e complexo esquema de corrupção do PCC. A investigação encontrou em seu celular imagens onde ele ostentava armas, munições e grande volume de dinheiro em espécie. Suas condenações criminais somam 26 anos e 8 meses de reclusão por lavagem de dinheiro e 32 anos, 10 meses e 4 dias por fraude em licitação e corrupção ativa, totalizando mais de 50 anos de prisão.

A Justiça também determinou o perdimento de imóveis em Mogi das Cruzes e Suzano, considerados de origem criminosa.