EUA citam violência da PM de São Paulo em relatório que critica Moraes

O governo do presidente Trump cita piora dos direitos humanos, usando como exemplo: mortes causadas pela polícia na Baixada Santista em 2023 durante gestão do governador Tarcísio de Freitas; MPSP arquivou todas as denúncias contra os agentes públicos, pelo menos 28 pessoas morreram durante ação militar

Thiago Félix, da CNN, São Paulo
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Um relatório elaborado pelo governo de Donald Trump aponta a violência policial de São Paulo, durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e afirma que a situação dos direitos humanos no Brasil piorou.

O tópico “execuções extrajudiciais” do relatório, que também aponta críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), cita as mortes causadas pelas operações Escudo e Verão, que mataram pelo menos 28 pessoas.

O documento foi publicado pelo Departamento de Estado americano nesta terça-feira (12).

“Houve diversos relatos de homicídios arbitrários ou ilegais cometidos pela polícia durante o ano. Alguns homicídios foram atribuídos a uma operação policial contra organizações criminosas transnacionais no estado de São Paulo, no primeiro semestre do ano, e a uma operação policial realizada de julho de 2023 a abril na Baixada Santista”, cita trecho do documento publicado pelos EUA.

A crítica norte americana surge em um momento da escalada da violência policial no estado, conforme publicado pela CNN,  o número de mortes por intervenção de policias aumentou 61,31% em São Paulo, segundo o Mapa da Segurança Pública de 2025, dados do pelo Ministério da Justiça.

O documento destaca a morte de Fabio Oliveira Ferreira durante uma abordagem policial em 28 de julho de 2023 no âmbito das operações acima.

A investigação apontou que o capitão Marcos Correa de Moraes Verardino disparou três tiros de fuzil contra o Ferreira, que estava com as mãos levantadas. Já o cabo Ivan Pereira da Silva fez mais dois disparos contra o tórax da vítima já caída.

Ainda no mês de julho de 2025, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) arquivou todas as denúncias que investigava as mortes decorrentes de intervenção policial durante as Operações Escudo e Verão. A decisão foi tomada pelo procurador-geral do estado, Paulo Sérgio de Oliveira e Castro.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirma que as mortes por policiais na Operação Escudo foram investigadas de forma rigorosa e que a PM atua dentro da legalidade. Leia abaixo na íntegra:

"Todas as mortes decorrentes de intervenção policial da Operação Escudo foram investigadas de forma rigorosa pelo Deic de Santos, com acompanhamento da Corregedoria da PM, Ministério Público e Judiciário. As investigações contaram com a análise do conjunto probatório, incluindo imagens de câmeras corporais, e os materiais foram devidamente compartilhados com os órgãos de controle e fiscalização competentes. No caso citado, os policiais envolvidos foram absolvidos pela Justiça. A Operação realizada na Baixada Santista, resultou na prisão de 388 foragidos, captura de cerca de 600 criminosos, apreensão de 119 armas de fogo, incluindo fuzis de uso restrito, e retirada de aproximadamente uma tonelada de drogas. A Polícia Militar atua dentro da legalidade e não tolera desvios de conduta de seus agentes. A Secretaria de Segurança Pública investe em capacitação, atualização de protocolos e uso de equipamentos de menor potencial ofensivo para reduzir a letalidade."