Ex-delegado executado em SP teve arma na cabeça em assalto 1 ano antes
Ruy Ferraz Fontes, executado em Praia Grande, no litoral de São Paulo já havia sofrido roubo com arma apontada para a cabeça ao lado da esposa em 2023, expressando profunda preocupação com sua segurança
O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, assassinado na última segunda-feira (15) em Praia Grande, litoral paulista, foi vítima de um assalto com arma apontada para a cabeça um ano antes de sua execução.
Em dezembro de 2023, Fontes e sua esposa foram abordados por criminosos no estacionamento da residência do casal, também em Praia Grande.
O incidente, que envolveu o roubo de uma moto de luxo avaliada em 60 mil reais, cartões, joias, documentos pessoais e celulares, deixou o ex-delegado profundamente preocupado com a segurança de sua família.
Após o ocorrido, Ferraz chegou a afirmar: "Eu combati esses caras durante tantos anos e agora os bandidos sabem onde moro". Os assaltantes foram presos em flagrante, e os bens, recuperados.
O medo e a exposição pública do caso, no entanto, geraram apreensão, levando sua família a desejar que ele deixasse o emprego e São Paulo.
Execução após o trabalho
Ruy Ferraz Fontes, de 63 anos, que atualmente ocupava o cargo de secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande, foi executado a tiros com mais de 20 disparos de fuzil na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas.
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Ele foi perseguido em alta velocidade por criminosos em uma SUV, cujo veículo colidiu com um ônibus, momento em que a execução ocorreu dentro do carro capotado.
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Testemunhas e imagens indicam que a ação foi altamente planejada e com conhecimento tático, com um dos três criminosos mantendo contenção enquanto os outros executavam. O carro usado pelos executores foi incendiado na fuga para eliminar vestígios.
Ferraz Fontes era conhecido por sua atuação pioneira no combate ao crime organizado e foi responsável por indiciar toda a cúpula do PCC, incluindo Marcola, em 2006, sendo jurado de morte pela facção.
Uma força-tarefa com mais de 100 policiais da Rota, Garra e Gaeco foi mobilizada para a Praia Grande, e as investigações são conduzidas pelo DHPP com apoio do DEIC, Polícia Federal e Ministério Público.
Todas as linhas de investigação, incluindo vingança e possíveis motivações ligadas ao seu trabalho atual, estão sendo consideradas.


