Ex-delegado morto preparava denúncia sobre suposta fraude em Praia Grande

Relatório do DHPP aponta que Ruy Ferraz Fontes preparava envio de informações sobre possíveis irregularidades; caso segue sob investigação

Thomaz Coelho, colaboração para a CNN Brasil, Adriana De Luca, da CNN Brasil, São Paulo
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O ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, assassinado em setembro deste ano em Praia Grande (SP), estava rascunhando uma denúncia ao Ministério Público sobre possíveis fraudes em licitações da prefeitura, segundo trechos do relatório final do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa) obtidos pela CNN Brasil.

Segundo o documento, foram encontrados no notebook do ex-delegado elementos indicando que ele preparava uma representação ao MP sobre “procedimentos licitatórios da prefeitura” que, na avaliação dele, apresentavam indícios de fraude envolvendo servidores municipais e empresários.

Com isso, a Polícia Civil solicitou medidas cautelares contra alguns funcionários da prefeitura e instaurou um inquérito autônomo para apurar suspeitas de fraude em licitações e lavagem de dinheiro.

Na sexta-feira (21), o MPSP denunciou oito suspeitos de participação direta na morte do ex-delegado. Essa é a outra linha de investigação: a de que Ruy foi executado por ordem do alto escalão do PCC, em um ato de vingança.

O grupo foi denunciado por homicídio qualificado, duas tentativas de homicídio, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, favorecimento pessoal e integração a organização criminosa armada.

Segundo o Ministério Público, os denunciados planejaram e executaram a vítima após a ordem do PCC por conta da atuação do delegado contra a facção. O crime é considerado uma "morte anunciada", visto que Ferraz era jurado de morte pela facção desde 2006, após indiciar a cúpula do PCC, incluindo Marcola.