Executivo chileno preso por racismo em voo da Latam é afastado de empresa

Germán Andrés Naranjo Maldini é executivo comercial da Landes, empresa de fabricação de pescados, há mais de 10 anos

Rafael Saldanha, da CNN Brasil, em São Paulo
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O chileno Germán Andrés Naranjo Maldini, preso por fazer comentários racistas, xenófobicos e homofóbicas contra um comissário de bordo em um voo da Latam, foi afastado da empresa em que trabalha no Chile, neste sábado (16).

O caso ocorreu em um voo do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, para Frankfurt, na Alemanha. Durante a viagem, o homem chamou um funcionário de preto e macaco, ainda imitando o animal.

Germán é executivo comercial da Landes, empresa de fabricação de pescados, há mais de 10 anos. Em nota divulgada nesta sexta-feira (15), a Landes informou que tomou conhecimento do caso pela imprensa.

"A companhia condena de forma categórica e inequívoca todos os atos de discriminação, racismo e homofobia. Esse tipo de comportamento é totalmente incompatível com os valores da Landes e com sua Política de Não Discriminação, que se aplica a todos os funcionários da empresa. A empresa está reunindo mais informações para tomar as decisões adequadas, de acordo com seus protocolos internos e regulamentações vigentes". 

Na manhã deste sábado, a Landes enviou um comunicado interno aos funcionários informando o afastamento formal e preventivo de Germán do cargo. O documento foi obtido pelo portal chileno BioBio Chile e confirmado pela CNN Brasil.

Veja o conteúdo do documento abaixo: 

"Prezados colaboradores:

Na sexta-feira à noite, como empresa, tomamos conhecimento, por meio da mídia, dos acontecimentos envolvendo o executivo Germán Naranjo, que estava fora do Chile em missão oficial. Naranjo deveria retornar às suas funções normais na segunda-feira, 18 de maio. Até a divulgação da notícia na noite passada, a empresa não tinha mais informações sobre a situação.

Segundo relatos da imprensa, os eventos ocorreram em 10 de maio, quando o executivo viajava para a Alemanha para participar da feira internacional Interzoo 2026. Tudo indica que ele prosseguiu viagem e foi detido durante uma escala no Brasil em seu retorno.

Como declaramos publicamente ontem, a Landes reitera sua mais veemente e categórica rejeição e condenação a todo comportamento discriminatório, seja racista, homofóbico ou de qualquer outra natureza.

Ressaltamos que não há circunstância alguma que justifique esse tipo de ação, que é claramente incompatível com os valores que nos definem como organização e com nossa Política de Não Discriminação, que se aplica sem exceção a todos os membros da empresa.

Enquanto se apuram todas as informações necessárias, Landes decidiu afastar formal e preventivamente Germán Naranjo de suas funções.

Continuaremos acompanhando o desenvolvimento desta situação para mantê-lo(a) devidamente e prontamente informado(a).

Assuntos Corporativos e Gestão de Pessoas"

A reportagem tenta contato com a defesa de Germán. O espaço está aberto.

O crime

O caso aconteceu no último dia 10 de maio, quando o homem tentou abrir a porta do voo e foi impedido pelos tripulantes. Ele também imitou um macaco em direção ao funcionário da companhia aérea.

Germán foi preso nesta sexta-feira (15) pela Polícia Federal ao retornar ao Brasil. Um vídeo, feito pelo funcionário da Latam que foi vítima, mostra as ofensas do chileno. Antes mesmo das falas racistas, ele afirma: "Ele é gay, eu não sou gay. Para mim é um problema ser gay", diz ao comissário de bordo.  

Veja o vídeo, cedido à CNN Brasil pelo portal @livresiguaisbr:

Mesmo depois do funcionário questioná-lo sobre o problema de ser gay e preto, o homem afirma: "A pele preta... que mais? o cheiro de preto, o cheiro de brasileiro...". Os funcionários à bordo insistem para ele se sentar, mas o chileno rebate. "Por quê? Estou agredindo a quem? Eu não conheço ele. Você é preto, macaco...". Em seguida, o homem passa a imitar um macaco para o funcionário. 

Após a comunicação formal das vítimas à PF, foi instaurado procedimento investigativo que resultou na decretação da prisão preventiva do investigado pela Justiça Federal. O indivíduo foi localizado e preso ao retornar de Frankfurt, em conexão no Brasil.

CNN Brasil apurou que o homem passou por audiência de custódia ainda nesta sexta-feira, em que o juiz manteve sua prisão preventiva. Ele foi encaminhado ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, onde se encontra à disposição da Justiça.

Em nota, a Latam informou que repudia o caso e presta apoio ao funcionário que foi vítima. Leia abaixo na íntegra:

"A LATAM repudia veementemente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia. Por esse motivo, a companhia colabora integralmente com a Polícia Federal no caso do passageiro que praticou violência discriminatória contra um de seus tripulantes no voo LA8070 (São Paulo-Frankfurt), de 10 de maio (domingo), e que foi detido no aeroporto de Guarulhos em 15 de maio (sexta-feira). A LATAM esclarece ainda que presta acolhimento psicológico e suporte jurídico ao funcionário vítima dessa violência". 

A investigação segue em andamento.

O que diz a defesa do chileno

A defesa de Germán Andrés Naranjo Maldini informou que pediu à Justiça Federal uma avaliação da condição clínica e do estado mental do estrangeiro.

Segundo o advogado criminalista Carlos Kauffmann, representante do homem, Germán relatou não ter clareza sobre os acontecimentos registrados durante o voo e disse que está abalado, envergonhado e arrependido.

Leia nota na íntegra:

“Estivemos com o Germán hoje, e ele fez uma declaração na qual ele reconhece que, por força de tratamento psiquiátrico, o qual ele é submetido há mais de 13 anos, já tendo sido internado por essas questões, remédios que está tomando, ele não sabe o que aconteceu. Não tem noção do que houve.

Está extremamente triste, consternado, envergonhado com tudo isso, e pede desculpas públicas a todos os brasileiros, em especial, ao tripulante Bruno, que se sentiu ofendido, dizendo que essa conduta é incompatível com a sua vida, com o seu histórico, e que jamais, jamais, poderia fazer algo nesse sentido de maneira consciente, de maneira intencional.

Neste sentido, o que o Herman precisa é de tratamento. Ele toma medicamento, medicamento controlado, e certamente ele busca tratamento para que ele possa se recompor. Peticionamos hoje à Justiça Federal para trazer dados e fatos até então desconhecidos, no sentido de que Herman precisa de tratamento médico, que já foi internado, toma medicação de uso controlado e é indispensável que seja avaliada a sua condição, o seu estado mental, ainda que esteja preso."