Feminicídios sobem 31% em São Paulo no primeiro bimestre de 2026
Estado registra 55 casos nos primeiros dois meses do ano; foram 42 notificações no mesmo período de 2025
O estado de São Paulo registrou 55 casos de feminicídio somente nos dois primeiros meses de 2026, número que representa quase 1 assassinato de mulher por dia. Em 2025, foram registradas 42 mortes no mesmo período, um aumento de 31%.
A capital paulista, no entanto, registrou queda no número de casos. De acordo com dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública), foram 11 ocorrências em janeiro e fevereiro, contra 13 no mesmo período do ano passado. No segundo mês do ano, os dados se mantiveram iguais, com seis boletins registrados.
Segundo a delegada Cristine Nascimento, titular da 1ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), o enfrentamento ao feminicídio no estado vem sendo feito através de ações integradas de prevenção e repressão, monitorando agressores e fortalecendo redes de proteção das mulheres.
A redução pode parecer pequena, mas é significativa. Ela indica que estamos no caminho certo no enfrentamento ao feminicídio.
Em informativo sobre os dados, a SSP ressalta que, nos últimos anos, o Governo do Estado vem ampliando políticas públicas de proteção às mulheres. A pasta destaca a ampliação de Delegacias da Mulher, que já somam 143 unidades atualmente, e a implementação de 173 salas de DDMs em unidades policiais.
Nas últimas semanas, vários casos de feminicídio tomaram conta do noticiário. Relembre abaixo.
Tenente-coronel virou réu por feminicídio
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que está preso preventivamente, virou réu por feminicídio e fraude processual após sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, ser encontrada morta no apartamento do casal Brás, na região central de São Paulo, em 18 de fevereiro.
De acordo com as investigações, Gisele vivia em um contexto de violência psicológica e controle coercitivo. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram que o oficial demonstrava comportamento possessivo e exigia submissão da esposa. Leia:
A versão apresentada por Geraldo, de que a vítima teria tirado a própria vida com um disparo de arma de fogo, foi contestada por inconsistências. Uma testemunha relatou ter ouvido o disparo por volta das 7h28, mas o acionamento do socorro ocorreu apenas cerca de 30 minutos depois. Para os investigadores, esse intervalo foi utilizado para alterar a cena do crime.
Veja a simulação do crime feita pela Polícia
Geraldo teria insistido em tomar banho após o ocorrido, contrariando orientações de policiais para preservar vestígios que poderiam ser utilizados em exame residuográfico.
Além disso, a cápsula da munição não foi encontrada no local, e há registros de que o apartamento foi limpo horas após a morte, antes da conclusão dos trabalhos periciais.
Exames indicaram sinais de luta corporal, como marcas de unhas e de pressão no corpo da vítima, além de evidências de que o corpo teria sido movimentado após o disparo. Testes também identificaram vestígios de sangue na roupa do acusado e no banheiro, contrariando sua versão de que não teria tido contato com a vítima após o tiro.
O MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) denunciou o tenente-coronel por feminicídio qualificado. A Justiça decretou a prisão preventiva do acusado, que permanece detido enquanto aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri. A defesa nega as acusações e sustenta a tese de suicídio.
Homem forjou suicídio de companheira
Um homem foi preso em flagrante em São Bernardo do Campo, na Grande SP, em 26 de março, após tentar forjar o assassinato da companheira, como se fosse suicídio por enforcamento. A vítima foi encontrada morta dentro de casa, e o caso inicialmente foi tratado como tentativa de suicídio.
A versão do suspeito dizia que ele estava dormindo e encontrou a mulher já pendurada, alegando que cortou a corda e tentou reanimá-la com ajuda de vizinhos. No entanto, a perícia identificou inconsistências na cena.
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Os exames apontaram que a vítima não morreu por enforcamento e que seria praticamente impossível ela ter realizado o ato sozinha, devido à altura do ponto onde a corda estava presa. Além disso, o corpo foi encontrado em posição incompatível com a versão apresentada.
As investigações também revelaram um histórico de violência doméstica. No dia anterior ao crime, a vítima enviou mensagens ao irmão relatando agressões e mostrando lesões causadas pelo companheiro, que já tinha registros anteriores por violência contra mulheres.
Diante das evidências, o caso passou a ser tratado como feminicídio, e o homem foi preso. A investigação segue em andamento pela Polícia Civil.
Companheiro matou mulher com socos em SP
Uma mulher de 42 anos foi morta após ser brutalmente agredida pelo companheiro na zona leste de São Paulo. Inicialmente tratado como caso de violência doméstica, o episódio foi posteriormente classificado como feminicídio pela Polícia Civil.
Segundo as investigações, a vítima foi atingida com diversos socos, principalmente na região do abdômen e das costelas. Ela chegou a ser socorrida por uma equipe do Samu e levada a uma unidade de saúde, onde foi atendida e liberada.
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Horas depois, já em casa, voltou a passar mal com fortes dores e precisou ser socorrida novamente. A mulher foi encaminhada a outro hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
A polícia também apontou que o agressor dificultou o atendimento médico no momento inicial e que ele já possuía antecedentes por violência contra outras mulheres. Ele foi preso em flagrante e permaneceu em silêncio durante o depoimento.
Antes de morrer, a vítima relatou que já havia sido agredida anteriormente pelo companheiro, mas nunca havia denunciado o caso. A investigação segue em andamento.


