"Mãe está enjaulada": Deolane escreve carta na prisão em SP; veja
Declaração foi publicada pela irmã da advogada, nesta terça-feira (26); ela está sob custódia na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra se manifestou através de uma carta escrita na prisão, publicada por sua irmã, Dayanne Bezerra, nesta terça-feira (26).
Ela está sob custódia na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, após ser presa por suspeita de envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Mais uma vez a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião.
Deolane afirma que vem sendo alvo de perseguições desde 2021, com a morte de seu ex-marido, o funkeiro MC Kevin. Ela diz também que não é "bandida", desmente as acusações sobre as empresas fantasmas e alega que foi presa por estar no exercício da profissão, ao advogar para integrantes da facção.
A influencer fala ainda que durante a investigação, que dura cerca de sete anos, nunca foi chamada para depor: "Minha vida é pública, meu endereço é público. Nunca fui ouvida em mais de 4 anos, mas fui acordada com um fuzil apontado para o meu rosto na minha casa e presa sem ter a oportunidade de esclarecer os fatos", afirmou.
A influenciadora finaliza o texto pedindo apoio dos fãs e afirma que "segue de cabeça erguida acreditando na justiça".
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Caixa do PCC: por que Deolane foi presa?
Segundo as investigações, a influenciadora teria vínculos estreitos, sendo eles pessoais e negociais, com um com um dos gestores fantasmas de uma transportadora investigada pelas autoridades. A estrutura financeira da advogada teria sido usada para dar aparência de legaidade a recursos ilícitos da facção. Ao todo, ela abriu 35 empresas fantasmas em um mesmo endereço para lavar o dinheiro.
Uma das pistas colhidas pelos investigadores surgiu de um celular apreendido com os donos da companhia, onde foram encontrados comprovantes de depósitos diretos para duas contas de Deolane. Os investigadores apontam que os repasses aconteceram em um contexto de "fechamento de contas" do PCC, e não como pagamento por serviços advocatícios legais.
Com isso, a influenciadora, de acordo com a polícia, passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando do PCC.
Transferência e sala de estado maior
A advogada foi transferida na manhã de sexta-feira (22) para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado.
Agora, ela segue sob custódia em uma cela especial. A decisão judicial que autorizou a prisão preventiva de Deolane já havia determinado o recolhimento da custodiada nessa sala de Estado Maior, prerrogativa prevista no Estatuto da Advocacia para profissionais regularmente inscritos na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A medida garante que advogados presos cautelarmente não fiquem em celas comuns antes da condenação definitiva.
Portanto, a medida não impede que a pessoa seja presa e não altera o curso da investigação, apenas assegura que a custódia seja diferenciada por conta das prerrogativas profissionais da advocacia.
Na prática, o ambiente destinado à Deolane é separado da população prisional comum, sem grades internas típicas de cela convencional e com condições compatíveis com a preservação da prerrogativa legal.
Apesar de ter direito a uma cela especial, a denúncia do Sindicato vai além e diz que que ela teria recebido benefícios maiores, não previstos nas prerrogativas garantidas pelo Estatuto da Advocacia.
Habeas corpus negado e contratação de Aury Jr. em sua defesa
O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) negou, na sexta-feira (22), um outro pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane Bezerra contra a prisão preventiva dela.
Os advogados já haviam entrado com outros dois pedidos de revogação da prisão. Uma solicitação foi arquivada pela Justiça Paulista, pois o magistrado entendeu não ter competência para julgar o caso, e outro pedido de prisão domiciliar foi negado no STF (Supremo Tribunal Federal), por não ter ilegalidade evidente que justificasse intervenção da Corte para rever imediatamente a prisão preventiva.
Com a negação do pedidos e buscando auxiliar no processo, Aury Lopes Jr. começou a integrar a defesa da Deolane. Ele é um dos nomes mais conhecidos do processo penal brasileiro e afirmou que busca recorrer ao Tribunal Superior, ou seja, ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) no caso da influenciadora.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo


