Médico que matou colegas já foi citado em investigação de propina da PF

Polícia apura disputa por contratos milionários na saúde pública como motivação

Guilherme Rajão, da CNN Brasil, Vitor Bonets, da CNN Brasil*, em São Paulo
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A PCESP (Polícia Civil do Estado de São Paulo) investiga se o assassinato de dois médicos em Alphaville, na Grande São Paulo, está ligado a disputas comerciais e a contratos na área da saúde pública envolvendo o autor dos disparos, o médico Carlos Alberto Azevedo Filho.

Ele foi preso em flagrante, na noite de sexta-feira (16), após matar a tiros Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos, em frente a um restaurante em Barueri.

O caso ganhou novos contornos após a confirmação de que a empresa do atirador mantém contratos com uma organização social investigada por suspeita de esquema de propina.

Segundo os contratos aos quais a CNN Brasil teve acesso, Carlos Alberto e Luís Roberto eram proprietários de empresas que atuam na gestão e intermediação de serviços médicos. Ambos tinham atuação em contratos firmados com organizações sociais e secretarias de saúde.

As investigações indicam que as desavenças entre eles vinham se acumulando havia meses, motivadas por concorrência direta e disputas por contratos na área hospitalar. Vinicius, a segunda vítima, trabalhava como médico vinculado a organizações sociais que mantinham relação profissional com a empresa de Luís Roberto.

A empresa de Carlos Alberto, a Cirmed Serviços Médicos, possui contratos milionários firmados com a Fundação ABC, entidade responsável pela administração de hospitais e unidades de saúde em municípios da Grande São Paulo.

A Fundação ABC foi alvo da Operação Estafeta, realizada pela PF (Polícia Federal) em julho de 2025, que investiga um suposto esquema de pagamento de propina a partir de contratos de gestão financiados com recursos públicos. Embora a empresa do atirador não tenha sido formalmente citada na operação, os contratos assinados previam repasses de milhões de reais por ano para a prestação de serviços médicos.

Câmeras de segurança registraram a dinâmica do crime. As imagens que a CNN Brasil teve acesso mostram uma discussão entre os médicos dentro do restaurante, seguida de agressões físicas.

Minutos depois, já do lado de fora, Carlos Alberto aparece armado e dispara diversas vezes contra os dois colegas, que tentavam deixar o local. Luís Roberto foi atingido por oito disparos, e Vinicius por dois. Ambos chegaram a ser socorridos, mas não resistiram.

Após a prisão, a polícia apreendeu a pistola utilizada no crime, além de cápsulas deflagradas, documentos, uma bolsa e cerca de R$ 16 mil em dinheiro.

O médico afirmou ser CAC (Colecionador, Atirador e Caçador). Sobre isso, o delegado responsável pela investigação declarou: “Sim. Ele afirmou que é. Não apresentou os documentos ainda, a informação deve ser confirmada com o Exército”.

A legislação federal estabelece que o registro como CAC não autoriza o porte de arma para defesa pessoal sem permissão específica.

Carlos Alberto teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia e foi encaminhado para a cadeia pública de Carapicuíba. Ele já possuía antecedente criminal, com prisão em 2025 por agressão e racismo no estado de Sergipe.

A PCESP segue colhendo depoimentos e aprofundando a análise dos contratos, vínculos empresariais e eventuais conexões com esquemas ilícitos no setor da saúde pública.

*Sob supervisão de Tonny Aranha