Médico que matou colegas já foi citado em investigação de propina da PF
Polícia apura disputa por contratos milionários na saúde pública como motivação

A PCESP (Polícia Civil do Estado de São Paulo) investiga se o assassinato de dois médicos em Alphaville, na Grande São Paulo, está ligado a disputas comerciais e a contratos na área da saúde pública envolvendo o autor dos disparos, o médico Carlos Alberto Azevedo Filho.
Ele foi preso em flagrante, na noite de sexta-feira (16), após matar a tiros Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos, em frente a um restaurante em Barueri.
O caso ganhou novos contornos após a confirmação de que a empresa do atirador mantém contratos com uma organização social investigada por suspeita de esquema de propina.
Segundo os contratos aos quais a CNN Brasil teve acesso, Carlos Alberto e Luís Roberto eram proprietários de empresas que atuam na gestão e intermediação de serviços médicos. Ambos tinham atuação em contratos firmados com organizações sociais e secretarias de saúde.
As investigações indicam que as desavenças entre eles vinham se acumulando havia meses, motivadas por concorrência direta e disputas por contratos na área hospitalar. Vinicius, a segunda vítima, trabalhava como médico vinculado a organizações sociais que mantinham relação profissional com a empresa de Luís Roberto.
A empresa de Carlos Alberto, a Cirmed Serviços Médicos, possui contratos milionários firmados com a Fundação ABC, entidade responsável pela administração de hospitais e unidades de saúde em municípios da Grande São Paulo.
A Fundação ABC foi alvo da Operação Estafeta, realizada pela PF (Polícia Federal) em julho de 2025, que investiga um suposto esquema de pagamento de propina a partir de contratos de gestão financiados com recursos públicos. Embora a empresa do atirador não tenha sido formalmente citada na operação, os contratos assinados previam repasses de milhões de reais por ano para a prestação de serviços médicos.
Câmeras de segurança registraram a dinâmica do crime. As imagens que a CNN Brasil teve acesso mostram uma discussão entre os médicos dentro do restaurante, seguida de agressões físicas.
Minutos depois, já do lado de fora, Carlos Alberto aparece armado e dispara diversas vezes contra os dois colegas, que tentavam deixar o local. Luís Roberto foi atingido por oito disparos, e Vinicius por dois. Ambos chegaram a ser socorridos, mas não resistiram.
Após a prisão, a polícia apreendeu a pistola utilizada no crime, além de cápsulas deflagradas, documentos, uma bolsa e cerca de R$ 16 mil em dinheiro.
O médico afirmou ser CAC (Colecionador, Atirador e Caçador). Sobre isso, o delegado responsável pela investigação declarou: “Sim. Ele afirmou que é. Não apresentou os documentos ainda, a informação deve ser confirmada com o Exército”.
A legislação federal estabelece que o registro como CAC não autoriza o porte de arma para defesa pessoal sem permissão específica.
Carlos Alberto teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia e foi encaminhado para a cadeia pública de Carapicuíba. Ele já possuía antecedente criminal, com prisão em 2025 por agressão e racismo no estado de Sergipe.
A PCESP segue colhendo depoimentos e aprofundando a análise dos contratos, vínculos empresariais e eventuais conexões com esquemas ilícitos no setor da saúde pública.
*Sob supervisão de Tonny Aranha


