Mensagens revelam assédio de tenente-coronel suspeito de matar esposa PM

Troca de conversas obtidas pela CNN Brasil mostram oficial chamando uma soldado subordinada de “meu amor” e “princesa” e insistindo em relacionamento mesmo após recusas

Renan Fiuza, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

As mensagens atribuídas ao tenente-coronel Geraldo Leite Neto, acusado de matar a esposa, revelam uma sequência de investidas contra uma outra policial militar subordinada a ele dentro da corporação.

A conversa por celular revela a tentativa clara de interesse e, com isso, gerar uma possível intimidade: “Minha princesa”. “Meu amor”. “Como foi seu dia?”.

A CNN Brasil teve acesso às conversas anexadas em um parecer técnico que analisou o conteúdo de mensagens trocadas entre o oficial e a soldado. Em diferentes trechos, Neto insiste em convites para sair, pede a policial em namoro e demonstra comportamento descrito como “persecutório” pela defesa da vítima.

Segundo o documento, o oficial chegou a dizer que queria morar “pertinho dela” e foi até a rua do condomínio onde a policial vivia.

Em outro trecho, insiste nas aproximações mesmo diante de respostas frias e negativas da soldado.

Mensagens do Coronel Neto • Arquivo PessoalAs mensagens mostram ainda a policial tentando evitar conflitos com o superior hierárquico. Em uma das respostas, ela afirma que não queria “problema” para si. Em outro momento, pede para que ele “não a incomode”.

O material foi analisado em parecer assinado pelo perito judicial Anderson Vieira Correa, vinculado ao Tribunal de Justiça de São Paulo. O documento afirma que as conversas apresentam “coerência e consistência aparente” e que “não foram identificados, no âmbito da visualização direta, indícios visuais claros de adulteração”.

O perito ressalta, no entanto, que a análise ficou restrita ao conteúdo visualizado diretamente no aparelho celular da policial e que não houve extração forense completa dos dados ou acesso aos metadados do aplicativo.

Após a apreensão do celular do tenente-coronel no âmbito das investigações sobre a morte da esposa, o oficial teria passado a usar outro número de telefone para continuar mantendo contato com a soldado, segundo o parecer técnico.

LEIA TAMBÉM: Tenente-coronel assediou e contatou PM após morte de esposa, diz denúncia

Geraldo Leite Neto é acusado de feminicídio pela morte da policial militar Gisele Santana e também passou a ser alvo de uma notícia-crime apresentada pela defesa da soldado ao Ministério Público no fim de abril deste ano.

No documento, a defesa acusa o oficial de descumprimento de missão, assédio sexual, assédio moral, ameaça e fraude processual.

O que espera a defesa da soldado?

O advogado Thiago de Oliveira Lacerda, que representa a soldado, afirmou que a defesa espera “uma apuração rígida e isenta da Corregedoria”, destacando que as provas apresentadas são “cabais e contundentes”, para que o tenente-coronel Geraldo Leite Neto “responda pelos crimes que praticou”.