MP deflagra operação contra atuação do PCC na Favela do Moinho, em SP

Ação cumpre dez mandados de prisão e 21 de busca e apreensão; segundo investigação, líder do tráfico local continuava a emitir ordens de dentro da prisão

Carolina Figueiredo e Guilherme Rajão, da CNN, em São Paulo
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Agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial do Combate ao Crime Organizado) do MPSP (Ministério Público de São Paulo), com apoio da Polícia Militar e da Polícia Civil, deflagraram na manhã desta segunda-feira (8) uma operação contra lideranças do tráfico na Favela do Moinho, no centro de São Paulo.

A ação, batizada de Operação Sharpe, tem como objetivo cumprir dez mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão contra membros do grupo, que é ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo apuração da CNN, oito pessoas foram presas.

Entre os presos estão Alessandra Moja, irmã de Leonardo Moja, conhecido como Leo do Moinho, que chefiava o tráfico no local e foi preso no ano passado. Segundo a polícia, Alessandra se apresentava como líder comunitária, mas agia para cumprir as ordens e defender os interesses do irmão.

Também foram presos um homem identificado como José Carlos da Silva, que seria o líder do tráfico atual da Favela do Moinho, e outro homem identificado como Jorge de Santana, proprietário de um estabelecimento comercial que seria utilizado para armazenar armas e entorpecentes na comunidade.

A filha de Alessadra, Yasmin Moja Flores, também foi presa na operação. Ainda durante o cumprimento dos mandados, um homem identificado como Roberto, que seria marido de Alessandra, também foi preso. Segundo a polícia, drogas teriam sido encontradas na casa dele.

"Não tinha nada na minha casa, eles colocaram", afirmou Alessandra enquanto chegava ao Dope (Divisão de Capturas, do Departamento de Operações Especiais).

A operação desta segunda é um desdobramento da Operação Salus et Dignitas, deflagrada no dia 6 de agosto do ano passado com o objetivo de desarticular ações do crime organizado na região da Cracolândia. Leo do Moinho foi preso na ocasião.

Segundo investigação do Gaeco, mesmo preso, Leo continuava a emitir ordens de dentro do presídio com a finalidade de intimidar funcionários da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), impedindo que famílias aceitassem indenização pelas suas moradias e deixassem o local.

Em abril deste ano, o governo de São Paulo iniciou um plano de reassentamento voluntário na região, já que a Favela do Moinho é a única favela localizada no centro da capital paulista. A CDHU planeja reestruturar a área, com a implantação do Parque do Moinho para impedir novas ocupações.

"As autoridades desferem novo golpe no grupo criminoso, que tentava se reorganizar por meio do tráfico de entorpecentes e que permanecia coagindo moradores e agentes públicos que trabalham na reurbanização da “Favela do Moinho”, cuja área será transformada em um parque público, assim como as famílias serão realocadas e devidamente indenizadas pelas suas moradias", diz o MPSP.

De acordo com o MPSP, a Operação Salus et Dignitas teve como resultado a quase total eliminação das cenas abertas de uso de drogas na região da Cracolândia, já que o tráfico de drogas era, segundo o levantamento feito por um ano, apenas uma das vertentes dos crimes cometidos em um ambiente transformado em um verdadeiro "ecossistema para o cometimento de ilícitos" do PCC.

A CNN tenta localizar a defesa dos citados.

Postagem na página Favela do Moinho no Instagram na tarde desta segunda-feira (8) aponta que Alessandra sofreu "tortura" durante a prisão e que foi "forjado um flagrante com drogas" para a prisão. A postagem também acusa a operação de tentar "enfraquecer" os movimentos sociais.