MP denuncia cinco policiais por esquema de propina na Polícia Civil de SP

Agentes respondem por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro em esquema que usou delegacias e sistema da polícia; mais três pessoas respondem por corrupção ativa e lavagem de dinheiro

Vítor Nhoatto e Khauan Wood, da CNN Brasil*, em São Paulo
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O MPSP (Ministério Público de São Paulo) denunciou cinco policiais civis e mais três pessoas por um esquema de corrupção em delegacias do estado.

De acordo com a investigação, eles utilizavam as delegacias e o sistema da Polícia Civil de São Paulo para interceptar caminhões com aparelhos eletrônicos contrabandeados do Paraguai e cobravam propina para liberação das cargas. Os denunciados foram alvo de uma operação em agosto e a denúncia foi apresentada em setembro.

Os cinco agentes públicos foram denunciados pelos crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Além deles, mais três homens foram denunciados por corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Além disso, foi requerido um valor mínimo de R$ 2,3 milhões por danos morais coletivos. Os promotores também pediram a perda do cargo público dos denunciados.

Entenda a operação

A denúncia foi apresentada à justiça pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) como parte da Operação Merx, deflagrada em agosto deste ano.

O objetivo da operação era reprimir atos de corrupção e lavagem de dinheiro na Grande São Paulo relacionados a cargas de eletrônicos contrabandeados.

De acordo com o MPSP, os policiais cobravam uma propina padrão de 70% do valor da mercadoria apreendida. Em troca, os produtos eram liberados ou tinham uma quantidade simbólica apreendida para conferir a aparência de legalidade.

Ainda em agosto, cinco pessoas foram presas preventivamente e sete mandados foram expedidos nos estados de São Paulo, Paraná e Goiás.

Patrimônio suspeito de investigados

Dois policiais civis presos na Operação Merx tinham salário bruto de até R$ 8,6 mil, mas um patrimônio que chamou a atenção do MP.

Segundo o Gaeco, o investigador-chefe Marcos Vinicius de Souza Melo era proprietário de duas embarcações, um imóvel em Barueri, na Grande São Paulo, e uma casa de veraneio no litoral do estado, em Maresias.

Além disso, o investigado aparecia como sócio em cinco empresas, que registraram várias movimentação nos quadros societários, o que segundo o MP levanta a possibilidade de ocultação ou dissipação de patrimônio.

O investigador Bruno Moreno dos Santos também chamou a atenção por possuir uma empresa de transporte rodoviário de cargas em seu nome, o que, segundo o Gaeco, levantou suspeitas pelo ramo e a natureza do esquema de propina denunciado.

O MP pede que todos os bens apreendidos, bloqueados, arrestados ou sequestrados pelo processo,  cerca de R$ 4 milhões,  sejam perdidos em favor do Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos ou do Fundo Integrado de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos citados. O espaço segue aberto.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo