“Não vi que ela estava ali”, diz acusado de atropelar e arrastar mulher

Homem afirmou em depoimento que acreditava estar fugindo após briga e que não percebeu que a vítima estava presa sob o carro

Guilherme Rajão, da CNN Brasil, São Paulo
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O homem acusado de atropelar e arrastar uma mulher por vários quilômetros, no último sábado (29), na Zona Norte de São Paulo, prestou depoimento à Polícia Civil e afirmou que não conhecia a vítima e que “não percebeu” que ela estava presa embaixo do veículo. Douglas Alves da Silva, de 26 anos, disse ainda que acelerou após o impacto porque acreditava que o carro tivesse apresentado um problema mecânico.

A fala integra o interrogatório ao qual a CNN teve acesso. No depoimento, Douglas afirmou que estava em um bar na noite anterior, onde se envolveu em uma briga após, segundo ele, seu amigo Kauan discutir com o companheiro da vítima, Tainara. Ele relatou que levou uma garrafada no rosto e, ao sair do local, teria sido ameaçado. Minutos depois, ao manobrar o carro para ir embora, afirma ter “acabado batendo” na mulher sem perceber que ela havia sido atingida.

Segundo o interrogado, o veículo “não ia para frente”, e por isso ele acelerou, acreditando em defeito decorrente da batida. Ele diz que só parou quando motoristas na Marginal Tietê começaram a buzinar e avisá-lo de que havia uma pessoa presa sob o automóvel. Ao notar populares tentando abrir a porta para retirá-lo do carro, afirmou ter fugido com medo de ser linchado.

Douglas deixou o local, ligou para familiares e, orientado por um advogado, escondeu o carro na casa do ex-sogro antes de seguir para um hotel na Zona Leste, onde acabou preso por policiais militares na noite de domingo (30). Segundo o boletim de ocorrência, ele resistiu à abordagem, tentou tomar a arma de um dos agentes e foi baleado no braço.

A vítima, uma mulher de 31 anos e mãe de dois filhos, sofreu ferimentos graves, foi entubada e teve as duas pernas amputadas abaixo do joelho. Ela permanece internada. A polícia trata o caso como tentativa de feminicídio.

A PM localizou o veículo usado no atropelamento e a Polícia Civil solicitou perícias no carro, no hotel onde Douglas estava escondido e nos agentes envolvidos na prisão. O suspeito pode responder por tentativa de feminicídio, resistência e lesão corporal contra policial.