Ocupação na USP: polícia abre inquérito para investigar estudantes

Durante a desocupação realizada no domingo (10), policiais militares apreenderam objetos pessoais, incluindo celulares, que serão utilizados durante a investigação; caso foi registrado como dano ao patrimônio público

, em São Paulo
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A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar a atuação de estudantes da USP (Universidade de São Paulo) durante ocupação do prédio da reitoria da universidade na semana passada. Na madrugada de domingo (10), policiais militares realizaram a desocupação do local, com o uso de bombas e gás lacrimogêneo.

Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), durante a desocupação os agentes apreenderam objetos pessoais que deverão ser periciados no inquérito policial.

Os itens confiscados, como celulares, foram levados para o Instituto de Criminalística e o 93º DP (Jaguaré) é responsável pela investigação do caso, que foi registrado como dano ao patrimônio público.

A equipe do caso solicitou quebra de sigilo telefônico de aparelhos celulares dos grevistas para identificar se houve a prática de crimes como invasão mediante violência e comprovar os danos ao edifício.

A pena para dano ao patrimônio público prevê detenção de seis meses a três anos, que pode aumentar caso haja uso de violência, além de multa.

O DCE disse que foi informado sobre o inquérito por meio da mídia e que busca mais detalhes para entender a investigação.

A CNN Brasil procurou a administração da USP, mas não obteve respostas até o momento. O espaço segue aberto.

Entenda a greve

Há um pouco mais de mês, a mobilização, liderada pelo DCE da USP, começou em apoio aos servidores que se manifestavam contra uma gratificação anunciada pela reitoria apenas para professores.

Cerca de 150 alunos se revezaram em diferentes turnos durante a greve, com divisão de tarefas, agenda cultural e limpeza do espaço. A reitoria, no entanto, descartou novas rodadas de negociação.

Após pressão, os servidores conseguiram avanços salariais e encerraram a paralisação. Por outro lado, os estudantes decidiram manter a grave em favor às próprias reinvindicações.

A principal demanda é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que atualmente oferece benefícios entre R$ 335 para estudantes residentes em moradia estudantil e R$ 885 para auxílio integral.

A USP propôs um reajuste baseado no índice IPC-FIPE. Dessa forma, o auxílio integral passaria para R$ 912 mensais, enquanto o auxílio parcial para estudantes com moradia subiria para R$ 340. A proposta, no entanto, é considerada insuficiente pelos estudantes, que defendem um reajuste para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista. A administração da Universidade resistiu às propostas dos grevistas.

Entre outros pontos, os estudantes criticam questões estruturais da universidade, como a gestão do restaurante universitário, conhecido como "bandejão", a moradia estudantil e a situação do Hospital Universitário (HU), que, segundo manifestantes, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década.

Desocupação da reitoria

Na quinta-feira (7), alunos da USP ocuparam a reitoria da Universidade, localizada no campus do Butantã, na zona Oeste de São Paulo.

Durante o fim de semana, os estudantes realizaram assembleias e manifestações.

A Polícia Militar, no entanto, iniciou um processo de desocupação do prédio na madrugada de domingo (10). Segundo estudantes que estavam no local, houve violência na abordagem policial, que utilizou bombas de efeito moral e gás lacrimogênio, além de spray de pimenta e cassetetes para retirar os jovens da reitoria.

Comissão para diálogo com os estudantes

A reitoria da USP (Universidade de São Paulo) anunciou, na quarta-feira (13), a instauração da Comissão de Moderação e Diálogo Institucional. Ela tem como objetivo de dialogar com a comunidade estudantil sobre as demandas solicitadas.

Segundo o comunicado, não há data para o início das discussões, mas "profissionais com experiência em mediação e resolução de conflitos apoiarão a interlocução".

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo