Onça que devorou caseiro chega a instituto mantenedor de animais em SP

Macho de idade estimada de 9 anos estava sob cuidados veterinários no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul

Rafael Saldanha, Pedro Osorio, da CNN, em São Paulo
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A onça-pintada que devorou e matou o caseiro Jorge Ávalo, de 60 anos, chegou a um instituto mantenedor de fauna silvestre em uma cidade no interior de São Paulo.

O animal, um macho de idade estimada de 9 anos, estava sob cuidados veterinários no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A transferência foi solicitada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP) com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEMADESC) do MS.

“Estamos falando de um animal com comportamento habituado à presença humana, ou seja, ele perdeu parte de seus instintos naturais de fuga, o que torna sua reintegração à natureza mais complexa e perigosa, tanto para ele quanto para as pessoas”, afirma o médico-veterinário Jorge Salomão, responsável técnico pelo mantenedor de fauna do Instituto Ampara Animal.

A omça foi batizado de Irapuã, que em tupi-guarani representa agilidade e força.

Veja um vídeo da onça ao chegar no instituto:

O médico completou e disse que, durante o transporte, a onça se manteve estável e chegou bem. "Ela já está recebendo todos os cuidados necessários para esse momento delicado de adaptação".

Caseiro atacado por onça em MS foi morto com mordida na cabeça, diz laudo 

O Instituto Ampara Animal informou que a onça chegou com diversas cicatrizes e que ganhou 13 kg durante sua estadia no CRAS-MS. No recinto em São Paulo, o animal contará com ampliação da área aquática e terá como foco sua recuperação física e emociona.

Jorge Salomão explica que o local não tem nenhum tipo de visitação. “Os nossos recintos são todos muito grandes, com grotões de mata nativa, cercados. São o mais próximo possível do que o animal iria encontrar em vida livre. A gente tem recintos a partir de mil metros quadrados, até o maior de quase 6.000 metros quadrados”.

Oito onças, cinco onças-pintadas e três onças-pardas já recebem cuidados no mantenedor. Cada uma delas recebe atenção individual com cuidados especializados.

Relembre o caso

O caseiro Jorge Avalo, de 60 anos, foi atacado e morto por uma onça-pintada na região de mata de Touro Morto (MS), a cerca de 230 km de Campo Grande. Ele foi morto na segunda-feira (21) e seu corpo foi localizado no dia seguinte.

Jorge foi atacado enquanto tentava coletar mel em um deck próximo da mata. Moradores da região relatam que o ataque foi repentino e que um homem que localizou a vítima encontrou marcas de sangue e vestígios da presença do animal.