Operação mira corrupção e lavagem de dinheiro na Polícia Civil de São Paulo

São cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis de intimação; advogados e policiais civis são alvo

Rafael Saldanha e Felipe Souza, da CNN Brasil, em São Paulo
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O MPSP (Ministério Público de São Paulo) e a PF (Polícia Federal) realizam uma operação, na manhã desta quinta-feira (5), contra corrupção e lavagem dinheiro dentro de departamentos da Polícia Civil de São Paulo.

No total, são cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em unidades policiais, além de 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação relativos a medidas cautelares diversas da prisão, direcionados a integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis, na Operação Bazaar.

Entre os alvos da ação estão os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, alvos da Operação Lava Jato, que são apontados como operadores do grupo criminoso.

Até o momento, nove alvos foram presos, sendo dois investigadores, um escrivão de polícia, um delegado, além de Meire Poza. Já os outros, são considerados como integrantes da organização criminosa.

A operação ainda tenta localizar Leonardo Meirelles e um outro membro do grupo.

Corrupção sistêmica

A decisão judicial que autorizou a operação cita um "elevado grau de prática de corrupção sistêmica" de policiais do Deic (Departamento Estadual de Investigações
Criminais), do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania) e do 16° DP (Vila Clementino).

A investigação aponta um "amplo e estruturado esquema de corrupção policial voltado à proteção de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro". O grupo criminoso era composto por doleiros, operadores financeiros e indivíduos com extenso histórico de prática de atos de lavagem de capitais.

O MPSP afirma que organização atuava de forma coordenada para garantir a continuidade das práticas criminosas e evitar a responsabilização de seus integrantes. Para isso, fazia pagamentos sistemáticos de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de investigações e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais.

A operação é realizada por intermédio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) e com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil. Em reunião conjunta com a Corregedoria, foi deliberado a realização de correições extraordinárias em todas as unidades policiais envolvidas para promover a responsabilização disciplinar e apurar eventuais outros ilícitos ocorridos nas repartições.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirma que a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades.

A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos alvos citados. O espaço segue aberto para um posicionamento.