Pai que matou filhas sufocadas em SP é indiciado por vicaricídio duplo
Breno de Souza Castro é suspeito de matar as duas filhas, de 3 e 5 anos, para causar sofrimento à ex-companheira na zona sul de São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo indiciou Breno de Souza Castro, de 24 anos, por vicaricídio duplo, após ele matar das duas filhas, Isis Helena Alves de Souza, de 3 anos, e Lais Heloiza Alves de Souza, de 5 anos, asfixiadas. O caso ocorreu no último domingo (9), na Cidade Dutra, zona sul da capital paulista.
Segundo as investigações, as crianças foram encontradas sem vida dentro de um carro. A polícia aponta que o crime teria sido cometido com o objetivo de causar sofrimento à mãe das meninas, Jennifer Nayra Alves dos Santos, de 20 anos, ex-companheira de Breno.
O crime de vicaricídio está previsto pela Lei nº 15.384, de 9 de abril deste ano, que alterou o Código Penal, a Lei Maria da Penha e a Lei dos Crimes Hediondos.
A legislação prevê a punição de quem mata descendentes, ascendentes, dependentes ou pessoas sob a guarda de uma mulher com a intenção de causar sofrimento, controle ou punição a ela, no contexto de violência doméstica.
Histórico de violência e ameaças
Segundo o relato de Jennifer à polícia, ela e Breno mantiveram um relacionamento por cerca de oito anos e estavam separados desde março. A mulher afirmou que havia sido vítima de agressões físicas e que, após o fim da relação, passou a receber ameaças e ser perseguida pelo ex-companheiro.
Por precaução, as filhas eram entregues à avó paterna em um ponto intermediário quando passavam os finais de semana com a família do pai.
No sábado (8), depois de Jennifer publicar uma foto com amigas em uma rede social, Breno teria enviado uma mensagem dizendo que aquela seria a última vez que ela veria as filhas. Na sequência, ele saiu com as crianças sob o pretexto de levá-las ao Museu do Ipiranga.
Mais tarde, diante do atraso no retorno das meninas, a irmã de Breno teria questionado o irmão por mensagens. De acordo com o boletim de ocorrência, ele afirmou que mataria as crianças e tiraria a própria vida.
A família comunicou Jennifer, que passou a procurar o ex-companheiro e acionou a Polícia Militar.
Crianças foram encontradas dentro de carro
Na manhã de domingo (9), por volta das 6h, Breno foi até o plantão do 48º Distrito Policial (Cidade Dutra). Segundo o registro policial, ele apresentava sinais de embriaguez, confessou ter asfixiado as filhas e indicou onde havia deixado o veículo.
Os policiais foram até a Rua Luiz Supertti e encontraram um Renault Clio prata trancado. Como não tinham as chaves, precisaram quebrar o vidro traseiro do lado do passageiro para acessar o interior.
As duas meninas foram encontradas sem vida dentro do automóvel. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada e confirmou as mortes.
Imagens obtidas pela CNN Brasil mostram o momento em que o suspeito abandona o carro em que as crianças foram encontradas. Ele abre o porta malas e pega uma camiseta e uma blusa, se veste e fecha o veículo.
Veja as imagens:
Prisão preventiva
A prisão em flagrante de Breno foi convertida em preventiva na segunda-feira (10), durante audiência de custódia no TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo).
A autoridade policial justificou o pedido pela gravidade da conduta e pela necessidade de preservar a integridade física e psicológica da mãe das crianças diante do histórico de ameaças e violência.
A CNN Brasil não localizou a defesa de Breno. O espaço permanece aberto para manifestação.


