PCC e postos: inquérito começou com distribuidora e abertura de fintech

CNN teve acesso a conteúdo da investigação da PF, que aponta detalhes do fluxo financeiro e a linha do tempo até patrimônio bilionário do crime organizado com lavagem de dinheiro

Elijonas Maia, da CNN
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A complexa rede de infiltração do crime organizado em postos de combustíveis, especificamente no Paraná, começou a ser investigada pela Polícia Federal em 2023 até o fluxo financeiro e o organograma do grupo ser desvendado por completo.

O ponto de partida no inquérito é o investigado Daniel Dias Lopes, de Curitiba. A investigação diz que ele, recém saído do regime fechado, onde cumpria pena por tráfico de drogas, entrou como procurador de uma distribuidora de combustíveis que teve lucros estratosféricos em um ano.

A contabilidade declarada da empresa que abastecia postos na capital paranaense foi de R$ 0 a R$ 6 milhões em um ano, diz a PF.

Após essa distribuidora, o já investigado passou a comprar dezenas de postos de combustíveis na cidade.

A investigação pediu e conseguiu da Justiça a quebra de sigilos. Foi quando a PF descobriu que os 50 postos da rede estavam recebendo dinheiro em espécie de forma fracionada.

Esses postos, diz o inquérito, recebiam em média, 2 mil depósitos por dia em espécie. E chegou-se a analisar que em alguns meses houve 12 mil depósitos em apenas um único dia.

A quebra de sigilos revelou a movimentação de R$ 23 bilhões em quase quatro anos nas contas dos investigados.

Mas foi a criação de uma empresa de pagamento que foi a virada de chave na investigação da PF do Paraná.

Em 2021 o grupo criou essa instituição (fintech) para ter “contas inteligentes” e não deixar digitais no dinheiro fracionado e em espécie.

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Nessa segunda parte do esquema, começaram as “contas-bolsões”. Por meio desse modelo, as fintechs aparecem como titulares de uma conta em um banco credenciado no sistema financeiro.

Mas como o dinheiro em espécie chegava lá? O inquérito da PF aponta que o crime organizado passou a contratar empresas de transporte de valores.

Os caminhões iam até os postos de combustíveis, pegavam os malotes de dinheiro em espécie, e levava para as “contas inteligentes” da fintech criada pelo grupo. Essas empresas de transporte, porém, não fazem parte do esquema.

Com base nas quebras de sigilos, a investigação apontou, então, essa movimentação de R$ 23 bilhões na conta bancária, entre o dinheiro dos postos e a instituição de pagamento criada.

Com base nesse “banco”, o grupo também emitia notas, mas todas falsificadas, segundo o relatório da PF.

Para a PF, o pontapé da investigação, Daniel Lopes, é associado ao PCC e ao líder desse esquema, Mohamad Hussein Mourad.

Os dois foram alvos de mandados de prisão na quinta-feira (28), durante a operação Tank, deflagrada simultaneamente com outras duas - Quasar e Carbono Oculto. Os dois, porém fugiram, antes da chegada dos policiais, e a PF vai investigar o vazamento da operação.

A CNN não conseguiu contato com os advogados dos foragidos.