Pioneirismo contra facção: delegado morto em SP foi o primeiro a mapear PCC

Ruy Ferraz Fontes, assassinado em Praia Grande, foi o precursor no combate ao crime organizado em São Paulo, traçando as primeiras estratégias contra a facção, conforme depoimento de colega

Beto Souza, da CNN, em São Paulo
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O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, assassinado em Praia Grande (SP) nessa segunda-feira (15), era considerado um pioneiro no combate ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Considerado inimigo da facção, Ferraz foi o primeiro delegado a investigar a estrutura criminosa, um trabalho fundamental que o colocou na mira da organização.

O secretário-executivo da SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), Osvaldo Nico, que trabalhou com Ferraz por mais de 40 anos, detalhou o papel histórico dele na corporação.

Execução foi planejada e teve mais de 20 tiros, diz delegado-geral

Segundo Nico, Ruy Ferraz foi a "primeira pessoa que começou a combater o crime organizado em São Paulo". Sua atuação decisiva se deu quando estava na quinta delegacia do patrimônio, focada em roubos a banco.

Foi nesse período que Ferraz realizou o "primeiro mapeamento dos líderes" do PCC e solicitou a prisão de vários integrantes da cúpula da facção, tornando-se um verdadeiro pioneiro na luta contra o crime organizado.

Ferraz, descrito por Nico como um profissional excelente, mesmo sendo calado e quieto, tinha uma forma "arrojada" de combater o crime, procurando sempre enfrentá-lo de maneira intensa.

Esse trabalho inicial foi crucial para compreender a hierarquia e o modo de operação do PCC.

O governo de São Paulo mobilizou uma força-tarefa para identificar os criminosos responsável pela execução, e Nico afirmou que, apesar de todas as hipóteses estarem em aberto, a ligação com facções é provável.

Saiba quem era Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado inimigo do PCC que foi executado

O que se sabe sobre morte de ex-delegado

Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, foi assassinado em Praia Grande (SP) na segunda-feira (15). A execução planejada, com mais de 20 tiros de fuzil, ocorreu após perseguição. O carro da vítima colidiu com um ônibus antes dos disparos, e o veículo dos criminosos foi incendiado posteriormente.

Com 40 anos de carreira, Fontes era jurado de morte pelo PCC. Ele ganhou notoriedade por indiciar toda a cúpula do PCC, incluindo Marcola, em 2006, e por mapear a estrutura da facção nos anos 2000. Em dezembro de 2023, após um assalto, expressou preocupação: "Sabem onde moro".

Carro usado para execução de ex-delegado-geral da polícia é queimado

O governador Tarcísio de Freitas prometeu punição exemplar aos responsáveis. Uma força-tarefa com mais de 100 policiais foi mobilizada para investigar o crime, considerando todas as linhas de investigação. Duas outras pessoas ficaram feridas na ação.