Polícia derruba 90 perfis que divulgaram vídeo de estupro coletivo em SP

Dados ainda estão sendo captados pela Policia Civil, que detectou quase 100 páginas nas redes sociais até agora

Ana Julia Bertolaccini e Larissa Soave, da CNN Brasil*, em São Paulo
Compartilhar matéria

A Policia Civil de São Paulo identificou mais de 90 perfis nas redes sociais que divulgaram o vídeo do estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, ocorrido na região de São Miguel Paulista, na zona Leste de São Paulo. O crime aconteceu no dia 21 de abril.

O compartilhamento desse tipo de conteúdo é crime, de acordo com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), ainda que a intenção de quem publica seja a de ajudar na solução do caso. A pena é de reclusão de 1 a 4 anos, além de multa.

Após pedido do Noad (Núcleo de Observação e Análise Digital), os perfis foram derrubados pelo Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (em inglês, The National Center for Missing & Exploited Children), uma organização não-governamental que age como um repositório central para denúncias relacionadas à exploração infantil. A ONG comunica as plataformas de redes sociais para impedir a divulgação do conteúdo apontado.

Além da investigação do Noad, o 63º DP (Vila Jacuí) investiga, no mesmo inquérito que apura o estupro coletivo, o compartilhamento original das imagens brutas. “Estamos investigando quem conhecia os envolvidos e divulgou o material bruto. Essas pessoas podem responder por divulgação de pedofilia, crime previsto no ECA”, disse o delegado titular Júlio Geraldo. Ele afirma que outros inquéritos com escopo mais amplo de investigação podem ser abertos para apurar outras publicações do conteúdo.

Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos — suspeito de participação no crime — foi localizado e preso na sexta-feira (1º), pela Guarda Civil Municipal no distrito de Serrana, em Brejões, no estado da Bahia.

Após ser transferido para São Paulo, o homem foi interrogado pela Policia Civil do Estado de São Paulo. Ele foi indiciado e pode responder por divulgação de pornografia infantil, corrupção de menores e estupro de vulnerável.

De acordo com o delegado Júlio Geraldo, os investigados pelo caso tentaram minimizar o crime ao classificá-lo como “zoeira” durante o interrogatório.

"Afirmaram que aquilo não passava de brincadeira, o que é inaceitável, porque não é concebível qualquer espécie de brincadeira que cause tamanho sofrimento às vitimas”, disse o delegado. Ele reforçou ainda que as vítimas confiavam nos autores.

Na última segunda-feira (4), o último dos quatro adolescentes envolvidos no estupro foi localizado por agentes da polícia. O jovem tem 15 anos e foi conduzido à delegacia, onde chegou junto com a mãe.

Anteriormente, outros três adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, suspeitos de participação no estupro, também foram apreendidos.

No total, segundo a polícia, foram identificados cinco suspeitos, sendo: o homem de 21 anos e quatro adolescentes. Um dos menores foi capturado em Jundiaí e os outros três na capital paulista.

O caso

A Polícia Civil de São Paulo investiga um caso de estupro coletivo contra duas crianças, de sete e dez anos, ocorrido na região de São Miguel Paulista, na zona leste da São Paulo. O crime aconteceu no dia 21 de abril, mas as autoridades só tiveram conhecimento no dia 24.

Nas redes sociais, o subprefeito de São Miguel Paulista, Divaldo Rosa, afirmou que a família não denunciou o crime no dia em que ocorreu por falta de coragem. Ele também informou que as vítimas e seus familiares foram colocados sob proteção do poder público local.

A mãe e a avó da criança de 10 anos foram encaminhadas para a Vila Reencontro Guaianases, um projeto de atendimento social da prefeitura de São Paulo. Já a criança de 7 anos, sua mãe e seus dois irmãos foram acolhidos pelo pai das crianças, que reside em Itaquaquecetuba.

Em declaração nesse domingo (3), o Delegado Osvaldo Nico Gonçalves, Secretário Executivo da Segurança Pública de São Paulo, classificou o caso como uma "cena terrível e inesquecível", afirmando que, mesmo com 45 anos de experiência policial, teve dificuldade em assistir às imagens até o fim.