Polícia prende homem que matou namorada ao lado da filha de 2 anos em SP

André de Lima Torres Pereira tem histórico de violência doméstica contra mulher, inclusive já havia sido acusado pela namorada assassinada

Rafael Saldanha, da CNN Brasil, em São Paulo
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O homem suspeito de assassinar a namorada de 34 anos, ao lado da filha de 2 anos, foi preso na noite desta segunda-feira (2). Ele foi alvo de um mandado de prisão temporária.

Nicole Mercer Merheje foi encontrada morta em um quarto de sua casa, na noite desse sábado (31), na Saúde, na zona sul de São Paulo. André de Lima Torres Pereira é investigado por agredir e matar a companheira, além de abusar sexualmente da criança, que era filha de Nicole de outro relacionamento. Ele ainda fugiu após o crime.

A prisão ocorreu a partir da investigação da 2ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), que identificou o local em que o homem estava escondido desde o dia do delito.

O pai da vítima, que acionou a polícia para a ocorrência, relatou que estava há cerca de um dia e meio sem conseguir contato com a filha. Ele afirmou que o relacionamento do casal era conturbado e que André ameaçava Nicole e a agredia fisicamente. Como moravam juntos em quartos próximos, o pai ouvia discussões, gritos e barulhos frequentes.

A Polícia Civil apurou que André, além da relação com Nicole, tem um histórico de violência doméstica contra a mulher. Ele já havia sido acusado duas vezes, em 2023 e 2024, em outros casos de violência doméstica. 

De acordo com os Sistemas de Polícia Judiciária, o homem possui uma Medida Protetiva de Urgência em vigor, em um processo em que foi condenado e preso em 2024. Ele foi solto ainda no mesmo ano. 

A namorada morta, Nicole, já havia registrado boletim de ocorrência contra André, em 22 de outubro de 2025, quando relatou agressões físicas e ameaça e solicitou medidas protetivas. Na ocasião, o suspeito teria invadido a casa da vítima e fugido pela janela do quarto dela, sendo visto por vizinhos que acionaram a polícia.

O assassinato de Nicole foi registrado pela autoridade policial como como feminicídio majorado. Conforme o boletim de ocorrência, além de matar a namorada na presença da filha da vítima, o autor tinha medidas protetivas de urgência contra ele.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa de André para um posicionamento. O espaço segue aberto.

Pai estranhou silêncio repentino após briga

Segundo o pai de Nicole relatou à Polícia Civil, ela e André sempre estavam juntos, sendo que ele se aproveitava dela financeiramente "como um gigolô".

Na noite anterior à qual sua filha foi encontrada morta, o pai de Nicole ouviu uma discussão e gritos entre o casal. Em meio à briga, ele chegou a dizer que "chamaria a polícia" três vezes. Em seguida, tudo ficou em completo silêncio, inclusive a criança de dois anos. 

Ainda na sexta-feira, o pai pensou que estava tudo bem, já que as discussões eram constantes, e foi dormir. Na manhã seguinte, ainda sem sinal de sua filha, bateu na porta do quarto, mas não obteve resposta, apenas ouviu "alguns sons" da criança, parecendo que queria falar algo para mãe. Ele também chegou a ligar e mandar mensagem, mas não teve retorno.

Depois de diversas tentativas de acessar o quarto sem sucesso, o pai procurou uma vizinha, que seria a advogada da vítima, e decidiram acionar o Corpo de Bombeiros para arrombar a porta. 

O pai de Nicole ainda disse que, após a discussão na sexta-feira, não ouviu mais a voz de André e ressaltou a suspeita de que ele teria fugido do quarto após matar sua filha. 

Após a chegada dos bombeiros, foi constatado o óbito de Nicole e sua filha foi socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgente) e levada inicialmente à UPA Vila Mariana. Em seguida, ela foi transferida para o Hospital Pérola Byington, onde recebeu atendimento especializado.