Polícia prende mais de mil em ações contra violência de gênero em SP
Foram registrados mais de 21 mil boletins de ocorrência e mais de três mil denúncias apuradas
As Delegacias de Defesa da Mulher da Polícia Civil realizaram 1.160 prisões em flagrante, durante o mês de março, em todo o estado de São Paulo.
As prisões aconteceram durante a "Operação Hera", que visava intensificar ações contra a violência de gênero. Também foram solicitadas 8.706 medidas protetivas de urgência.
Segundo o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), também foram 21.792 os Boletins de Ocorrências registrados, de forma presencial e on-line, além de 3.195 denúncias apuradas.
“Os números impressionantes alcançados com esta força-tarefa são o reflexo da dedicação e da coragem de cada policial envolvido, demonstrando que, por trás de cada ação deflagrada, há um compromisso profundo com a proteção, a justiça e a dignidade das mulheres”, apontou a delegada Jacqueline Valadares, presidente do sindicato.
A operação contou com apoio de outras unidades da Polícia Civil às Delegacias de Defesa da Mulher no estado, resultando na instauração de 9.656 inquéritos, além de outros 7.608 relatados, 353 representações por prisões, o cumprimento de 355 mandados de prisão e outras 265 ordens de busca e apreensão. Além dos números apontados pelo sindicato, outras 211 armas foram recolhidas e mais de oito quilos de entorpecentes apreendidas.
A especialista em Direito das Mulheres, Luciana Terra, disse à CNN que as operações de combate à violência contra a mulher são importantes não apenas em março, mas devem seguir acontecendo por todos os meses.
“Esse tipo de ação deve ser contínua, tendo em vista o número elevadíssimo que nós temos de pedidos de medida protetiva, de casos de prisões em flagrante e de mulheres que estão sendo violentadas. A violência contra as mulheres, o número de denúncias aumento e a intensidade da violência aumentou”, afirmou a especialista, destacando o aumento no número de crimes como incêndio, estrangulamento e feminicídio.
Terra também ressaltou que esse tipo de operação da polícia deixa as mulheres mais seguras, demonstrando que elas terão respaldo do Estado se denunciarem a violência que vem sofrendo.
Segundo dados da Rede de Observatórios da Segurança, somente em 2024, a cada 17 horas, ao menos uma mulher foi vítima de feminicídio. Os dados representam um aumento de 12,4% em relação ao ano anterior.
O que é violência de gênero?
Violência de gênero é a violência praticada contra uma pessoa com base na sua identidade de gênero ou orientação sexual. Se manifesta em várias formas, incluindo física, psicológica, sexual e simbólica. Geralmente, mulheres são as mais atingidas pela violência de gênero devido às relações de poder desiguais e à discriminação que enfrentam.
De acordo a OMS (Organização Mundial de Saúde), uma a cada três mulheres em todo o mundo já sofreu violência física ou sexual por parte de seu parceiro ou violência sexual por parte de um não parceiro, segundo dados obtidos entre 2000 a 2018.
Disque Denúncia
O Governo Federal possui um canal de denúncias, com pessoas treinadas para atender casos de violência contra a mulher. Ligue 180 - Central de Atendimento à Mulher é um serviço de utilidade pública essencial para o enfrentamento à violência contra as mulheres. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.


