Policiais são presos por extorsão de comerciantes no Brás (SP)

São cumpridos 15 mandados de prisão preventiva, sendo seis contra policiais militares e um contra policial civil

Rafael Saldanha, da CNN
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Uma operação mira sete policiais acusados de extorquir comerciantes irregulares no Brás, na região central de São Paulo, na manhã desta segunda-feira (16).

Os agentes são investigados por integrar uma organização criminosa que extorquia comerciantes autônomos com quaisquer irregularidades, para permitir que o funcionamento na região.

São cumpridos 15 mandados de prisão preventiva, sendo seis contra policiais militares e um contra uma policial civil. Os agentes também cumprem 20 ordens de busca e apreensão contra cinco empresas e 15 pessoas físicas.

A CNN apurou que cinco dos policiais alvos já foram presos, mas os mandados ainda estão sendo cumpridos. Um policial militar e a civil ainda não foram localizados.

A policial civil alvo é uma escrivã da corporação, que é casada com um sargento da PM, e foi flagrada com outras pessoas cometendo extorsões de forma organizada. Ela também intimidava os comerciantes, demonstrando "vínculos profundos" com a organização criminosa, segundo o Ministério Público.

A Operação Aurora é realizada pelas Corregedorias da Polícia Militar e da Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo.

"Assim que recebemos o relato gravíssimo das vítimas instauramos um inquérito para apurar as denúncias. Foi realizado um trabalho intenso que comprovou as práticas. Pedimos a quebra dos sigilo dos polícias e conseguimos as todas as provas para em embasar o inquérito”, afirma o coronel Fábio do Amaral, corregedor da Polícia Militar.

A Justiça também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de oito empresas e 21 pessoas.

A operação é resultado de uma apuração da Corregedoria da PM, órgão interno da instituição, que apontou que policiais exigiam e recebiam pagamentos periódicos para permitir a atividade das vítimas no Brás.

Segundo a investigação, vários vendedores são imigrantes de países da América do Sul e não possuem acesso a linhas de crédito, assim procurando agiotas por dinheiro para repassar aos criminosos.

“Eles atuavam como uma verdadeira organização criminosa, com planilhas de controle sobre o pagamento das propinas, tudo muito detalhado e organizado”, relata o promotor de Justiça Carlos Gaya, do Gaeco.

Os agiotas utilizavam dos serviços dos mesmos policiais militares para cobrar os inadimplentes de forma violenta. O esquema ocorria na Feirinha da Madrugada, na Rua Tiers.

Uma das testemunhas protegidas pelas autoridades relatou que trabalha na região há seis anos e, recentemente, um grupo de pessoas passou a exigir o pagamento R$ 15 mil por ano e mais R$ 300 por semana para autorizar sua permanência no local.