Postos receberam 12 mil depósitos em espécie em um dia, aponta inquérito

Relatório da PF detalha que investigados realizaram em média 2 mil depósitos em postos para fracionar dinheiro e transportadora de valores fez caminho até fintech

Elijonas Maia, da CNN, São Paulo
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Não foi à toa que a operação da Polícia Federal sobre o uso de postos de combustíveis no Paraná foi batizada de “Tank”. O inquérito da PF aponta que o crime organizado usou 50 postos em Curitiba (PR) como uma grande lavanderia para o caixa financeiro do grupo investigado, ligado ao PCC.

O inquérito, ao qual a CNN teve acesso às informações, aponta que os postos recebiam depósitos diários de dinheiro em espécie. A média era de 2 mil depósitos por dia. Mas em determinados meses analisados pela PF houve até 12 mil depósitos diários nos postos. Tudo em dinheiro vivo.

Com tanto dinheiro acumulado, o grupo passou ao segundo andar da cadeia criminosa. A PF detalha que uma transportadora de valores foi contratada para levar malotes de dinheiro à uma instituição de pagamento recém-criada pelo grupo.

A estratégia era criar “contas inteligentes” ou “conta-bolsão” para não deixar digital dos investigados. Por meio desse modelo, as fintechs aparecem como titulares de uma conta em um banco credenciado no sistema financeiro.

E a partir daí a investigação também evoluiu.

Com a quebra de sigilo dos investigados ficou revelada a movimentação de R$ 23 bilhões em quase quatro anos nas contas dos investigados, com a máxima “seguindo o caminho do dinheiro” até identificar todos os personagens do organograma.

Para a PF, o pontapé da investigação, Daniel Lopes, é associado ao PCC e ao líder desse esquema, Mohamad Hussein Mourad.

Os dois foram alvos de mandados de prisão na quinta-feira (28), durante a operação Tank, deflagrada simultaneamente com outras duas - Quasar e Carbono Oculto. Os dois, porém fugiram, antes da chegada dos policiais, e a PF vai investigar o vazamento da operação.

A CNN não conseguiu contato com os advogados dos foragidos.