Presidente afastado da UPBus, suspeita de elo com PCC, é preso em SP

Ubiratan Antônio da Cunha, de 55 anos, foi preso na noite de quarta-feira (6), na zona Leste da capital

Bruna Lopes, da CNN Brasil*, em São Paulo
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O presidente afastado da empresa de ônibus UPBus, Ubiratan Antônio da Cunha, de 55 anos, foi preso na noite desta quarta-feira (6), no Jardim Helena, zona Leste de São Paulo.

De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), o homem, que estava foragido, foi detido por policiais militares e conduzido ao 63° DP (Vila Jacuí), onde permaneceu à disposição da Justiça.

Além dele, Alexandre Salles Brito, de 54 anos e um dos sócios da pessoa jurídica, também foi preso na manhã desta quinta (7), por policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) no Jaçanã, na zona norte da capital. 

Os dois passaram por uma audiência de custódia, mas a Justiça entendeu que não houve irregularidade nas prisões e eles seguem presos.

As prisões ocorreram em cumprimento ao mandado de prisão expedido pelo TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) após recurso impetrado pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo). A justiça entendeu não houve excesso de prazo capaz de justificar a manutenção da liberdade dos acusados. 

Segundo a promotoria, a decisão do Poder Judiciário atinge também Alexandre Salles Brito, um dos sócios da pessoa jurídica. Ambos os homens já se encontram detidos. 

Ubiratan é investigado por suspeita de organização criminosa e lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital), a principal facção do estado.

Segundo a investigação, a lavagem de dinheiro era feita pela empresa presidida por ele. A UPBus já havia sido alvo de intervenção da Prefeitura de São Paulo após uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPSP (Ministério Público de São Paulo).

À CNN Brasil, a defesa de Ubiratan, composta pelo advogado Anderson Minichillo de Araújo, informou que a prisão foi realizada durante a noite, na residência do presidente, configurando abuso de autoridade por parte da Polícia Militar.

"A defesa irá, junto ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), impetrar um Habeas Corpus para cassar essa decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e restabelecer a decisão do juíz de 1° grau, que concedeu a liberdade para o Ubiratan", afirmou.

Outras prisões

Ubiratan Antônio da Cunha foi preso no dia 16 de julho de 2024Ele era um dos alvos da Operação Fim da Linha, em São Paulo. A ação policial investigava a ligação de empresas de ônibus da capital paulista com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Por ordem da Justiça, Cunha havia sido proibido de frequentar a sede da empresa e de ter contato com outros réus ou com membros da cooperativa.

Mas, no dia 5 de junho, a Polícia Civil foi procurada por integrantes da cooperativa sucedida pela UPBus, relatando que teriam sido expulsos por ele da sede da empresa. Depois disso, o Ministério Público ainda descobriu que, naquela mesma semana, Cunha teria procurado o interventor que foi nomeado pela prefeitura para administrar a UPBus.

Veja também: Empresa investigada por ligação com o PCC processa prefeitura de SP

“O interventor nomeado pelo município foi atraído por funcionários da UPBus sob o pretexto de tomarem um café em um estabelecimento nas redondezas da garagem. O dirigente esperava por ele no local, em afronta à decisão judicial”, diz a nota do Ministério Público.

No dia 20 de dezembro, Ubiratan foi preso novamente em uma ação em conjunto entre a PM de São Paulo e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (GAECO).

Segundo a polícia, a prisão aconteceu por “utilização da empresa concessionária de transporte público municipal UPBUS QUALIDADE EM TRANSPORTES S.A. para ocultar e dissimular a origem ilícita do produto e do proveito dos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, roubo, dentre outros correlatos.”

A última prisão dele havia ocorrido em abril do ano passado, após Ubiratan se entregar na Delegacia do Itaim Paulista, na zona Leste da capital. A prisão preventiva do homem, de 54 anos, havia sido decretada pela Justiça.

De acordo com o Ministério Público, Ubiratan e Alexandre Salles deixaram a cadeia em janeiro deste ano, após decisão que substituiu a custódia preventiva por medidas cautelares.

Operação Fim da Linha

A Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024 pelas forças policiais, investigou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de ônibus responsáveis pelo transporte público na capital paulista.

As investigações evidenciaram que empresas de transporte coletivo eram utilizadas para ocultar e movimentar recursos obtidos com atividades criminosas.

De maneira integrada, a ação contou com apoio do Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco, da Polícia Militar, Receita Federal e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo