São Paulo: Greve nas estaduais avança com impasse entre alunos e reitorias
Estudantes da USP, Unicamp e Unesp discutem protestos por permanência enquanto diálogo enfrenta entraves

As universidades estaduais de São Paulo registram uma escalada de mobilizações estudantis por permanência, moradia e alimentação. O movimento, iniciado na USP (Universidade de São Paulo), já repercute em outras instituições do estado.
Na USP, a greve começou em 14 de abril e já atinge mais de 100 cursos. Após três rodadas de negociação sem acordo, a reitoria considera encerrado o diálogo com os estudantes, em meio a divergências sobre as pautas abordadas.
“A Reitoria da USP dialogou com a representação estudantil nos últimos dias em três reuniões, totalizando 20 horas e considera encerrada a negociação das pautas estudantis", afirmou a universidade em comunicado oficial.
"A Reitoria reafirma seu compromisso com o diálogo contínuo e transparente com a comunidade estudantil, destacando que os encaminhamentos definidos representam um avanço na construção conjunta de soluções para as demandas apresentadas”, completa a nota.
No entanto, do lado dos estudantes, a mobilização continua. O DCE (Diretório Central dos Estudantes) convocou nova assembleia nesta quarta-feira (6), às 18h, para determinaros próximos passos.
“Diante da intransigência da Reitoria e sua recusa em seguir negociando, o DCE Livre da USP convoca uma nova assembleia geral dos estudantes da capital para debatermos os rumos da nossa mobilização”, anunciaram.
Na Unesp (Universidade Estadual Paulista), estudantes já aprovaram estado de mobilização e paralisação estadual. O movimento aponta precarização das condições de ensino, com falta de professores, atrasos em auxílios e dificuldades de permanência.
O DCE também defende avanço para greve e articulação conjunta entre as universidades.
“É importante agora nós voltarmos pros nossos campus e declarar greve na nossa universidade para somar nessa luta estadual”, anunciou o Diretório na terça-feira (5).
A reitoria da Unesp afirmou ter conhecimento das movimentações estudantis e ressaltou a nova reunião que ocorrerá dia 11 de maio.
"Estudantes de algumas unidades da Unesp paralisaram suas aulas para a participação de ato em frente à sede da Reitoria da Unesp, no centro de São Paulo, por ocasião de reunião do CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) realizada no dia 04 de abril. A Reitoria tem a informação de que estudantes do Instituto de Artes, em São Paulo, permanecem paralisados. De todo modo, dados mais atualizados sobre o movimento estudantil podem ser obtidos junto ao DCE. Na próxima segunda-feira, 11 de maio, nova reunião do CRUESP foi agendada na sede da Reitoria da Unesp para discussão de pautas estudantis."
Já na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), os estudantes vão deliberar sobre indicativo de greve em assembleia marcada para quinta-feira (7). A pauta inclui moradia estudantil, transporte, serviços de saúde e condições estruturais.
“Nesta quinta-feira (7), às 17h, realizaremos Assembleia Geral para discutir as demandas dos estudantes e trabalhadores da Unicamp e possibilidade de indicativo de greve. Somos à favor da expansão universitária, mas exigimos que ela venha aliada à uma política de valorização dos serviços públicos. (...) Aqui na Unicamp temos a chance de construir uma mobilização conjunta com os trabalhadores da nossa universidade.”
As reitorias das universidades citadas foram procuradas, mas não responderam até a publicação da reportagem. O texto será atualizado.
Negociações com servidores
As mobilizações estudantis ocorrem paralelamente às negociações salariais de docentes e servidores, que também seguem sem acordo entre as partes.
Em reunião realizada no dia 4 de maio, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) propôs reajuste salarial de 3,47% para docentes e servidores técnico-administrativos da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O índice tem como base o IPC-Fipe acumulado entre maio de 2025 e abril de 2026 e ainda depende de aprovação nos órgãos deliberativos das universidades.
O Cruesp afirmou que a proposta busca preservar o poder aquisitivo dos salários sem comprometer o equilíbrio orçamentário das instituições. Já representantes do Fórum das Seis defendem recomposição mais ampla, o que mantém o impasse nas negociações.


