Polícia prende último suspeito de envolvimento em morte de cozinheira em SP
Berenice Ramos de Aguiar havia desaparecido no dia 30 de junho deste ano, em Ubatuba (SP); ex-patroa da vítima e companheiro de suspeita já estavam presos

A Polícia Civil de São Paulo prendeu o último suspeito pela morte da cozinheira identificada como Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos. O homem, de 36 anos, tinha um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça e se apresentou na delegacia na terça-feira (4).
Na noite da última segunda-feira (3), a polícia já havia prendido o segundo suspeito pela morte da vítima, em uma residência no bairro do Estaleiro, em Ubatuba, litoral Norte de São Paulo.
A mulher estava desaparecida desde o dia 30 de junho em Ubatuba e foi encontrada morta 15 dias depois, em uma área de mata em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
Segundo a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), o suspeito, de 55 anos, é companheiro da ex-patroa de Berenice, Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, presa preventivamente desde o dia 10 de julho deste ano, ao ser identificada como a autora dos disparos que mataram a vítima.
As investigações, concluídas pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de São Sebastião, envolveram análise de imagens de monitoramento, rastreamento de veículos, perícias, além de extração de dados telefônicos.
Entenda o caso
Berenice trabalhava e morava há cerca de quatro meses em uma pousada e também mercado, de propriedade de Eliane, localizada no bairro de Ubatumirim, em Ubatuba.
O conflito entre as duas teria começado por divergências na rescisão trabalhista, depois que Berenice pediu demissão do emprego. Na ação, a vítima cobrou cerca de R$5 mil em direitos, valor que a suspeita teria se recusado a pagar.
O cenário se agravou quando Eliane passou a suspeitar que Berenice furtava mercadorias do estabelecimento. Na tarde do dia 30 de junho, testemunhas relataram em denúncias anônimas recebidas pela polícia que teriam presenciado uma discussão "acalorada" e agressões físicas entre Berenice e a ex-patroa.
Os relatos indicam que Eliane agrediu a vítima, momento em que Berenice gritou por socorro. Na ocasião, uma vizinha chegou a ir até o imóvel e encontrou Eliane com uma marca avermelhada no rosto, semelhante a um arranhão.
Dinâmica do ocorrido
De acordo com o inquérito policial, no dia do desaparecimento de Berenice, Eliane contou com a ajuda de um primo para forçar Berenice a entrar em uma caminhonete, uma Nissan Frontier preta.
Segundo as investigações, a vítima foi colocada em uma caminhonete sob o pretexto de ser levada para atendimento médico. Em relato à pessoas próximas, o primo de Eliane teria afirmado que a ex-patroa atirou nas costas da cozinheira ainda dentro do veículo, momento em que a vítima veio a óbito.
Após o crime, o corpo foi transportado para Angra dos Reis (RJ) e abandonado em uma área de mata de difícil acesso, onde foi encontrado dias depois.
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O desaparecimento da vítima foi registrado no dia último dia 2 pelo filho da vítima, que estranhou a falta de contato da mãe, que costumava falar diariamente com a família. Além disso, ele notou a inatividade no celular da mãe desde 30 de junho, dia do desaparecimento.
Em seu depoimento inicial, Eliane negou qualquer desentendimento e alegou que fez um acordo amigável com Berenice, quando teria pagado R$2.600 em espécie a ela, sem recibo. Na ocasião, a ex-patroa ainda afirmou que ofereceu uma carona para Berenice até o centro de Ubatuba.
Segundo a suspeita, a vítima teria mudado de ideia no caminho e pedido para ser deixada no trevo de Ubatumirim com as malas. Além disso, o companheiro de Eliane chegou a comentar com familiares da vítima que o local onde ela foi deixada era "perigoso" e "frequentado por assaltantes do Rio de Janeiro".
Assim, as investigações também identificaram tentativas de ocultação de provas, incluindo reparos no veículo usado no crime, descarte e substituição de aparelhos celulares, exclusão de dados e alteração de vestígios para dificultar o esclarecimento do caso.
Investigações
Durante as investigações, a Polícia Civil cruzou os dados da caminhonete da suspeita com o sistemas de monitoramento viário e descobriu que o veículo seguiu no trajeto inverso ao declarado por Eliane.
Radares registraram quando a caminhonete passou por Camburi, bairro localizado em São Sebastião, também no litoral paulista, às 16h39 e chegou à altura de Paraty (RJ) às 17h13. No entanto, os registros de monitoramento apontaram que o veículo retornou para Ubatuba apenas às 22h14 do mesmo dia.
Para a Polícia Civil, a janela de tempo e o trajeto coincidiram com as denúncias anônimas sobre o local onde o corpo de Berenice teria sido deixado.
A investigação também descobriu que, no dia 2 de julho, logo após ser ouvida, Eliane começou a circular com o veículo fora do litoral paulista, quando a caminhonete passou pelo Vale do Paraíba, em cidades como Jacareí e Taubaté, no interior de São Paulo.
Além disso, a suspeita dificultou a entrega das imagens das câmeras de segurança do comércio dela, o que fez com que policiais fossem ao local apreender fisicamente o equipamento de gravação.
Prisão da suspeita
No dia 8 de julho, a Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de Eliane por 30 dias. Além disso, a autoridade judicial também expediu mandados de busca e apreensão para a casa da empresária e do primo dela, quando também autorizou a quebra de sigilos telemáticos e telefônicos.
As investigações do caso seguem em andamento e aguardam os laudos periciais. A CNN Brasil não localizou a defesa dos citados e o espaço segue aberto para manifestações.


