MC Urubuzinho é preso após participar de baile funk com rajada de tiros
MC Urubuzinho fez referência a Peixão, apontado como chefe do TCP, durante o Baile da Colômbia; no final do último mês, um homem de 41 anos também foi preso por ter sido um dos autores dos disparos
A Polícia Civil de São Paulo prendeu, neste domingo (15), um cantor de funk conhecido como MC Urubuzinho, na zona Leste de São Paulo. O homem é investigado no inquérito que apura os disparos de arma de fogo registrados durante um baile de Carnaval no Morro São Bento, em Santos (SP), no último dia 15 de fevereiro.
Na ocasião, o cantor, que acumula mais de 300 mil seguidores em uma rede social, apareceu em uma gravação fazendo referência a Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido no mundo do crime como Peixão, apontado como um dos líderes da facção TCP (Terceiro Comando Puro), que atua no tráfico do Rio de Janeiro.
Segundo a polícia, Peixão é considerado um criminoso de alta periculosidade, com histórico de extrema violência.
No final do último mês, um homem de 41 anos também foi preso, em São Vicente, no litoral paulista, por ter sido um dos autores dos disparos de arma de fogo durante o baile de Carnaval.
O caso segue sendo investigado pelo Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) para identificar outros envolvidos e esclarecer a dinâmica dos fatos.
Vídeo registrou os tiros no baile
O baile funk realizado durante o Carnaval foi marcado por disparos de arma de fogo para o alto, menções ao crime organizado e exaltação a uma facção criminosa do Rio de Janeiro.
Imagens obtidas pela CNN Brasil registram momentos da festa, conhecida como Baile da Colômbia, que contou com apresentação do cantor MC Urubuzinho. Em seu canal no YouTube, o artista afirma defender o chamado “funk consciente”, com a proposta de retratar a realidade das comunidades.
Durante a apresentação, o artista questiona o público: “Só quem é criminoso sabe essa. Quem conhece o Peixão? Quem conhece?”.
Em outro momento, homens armados aparecem efetuando diversos disparos para o alto. O cantor ainda declara: “Se não tiver rajada, não é o Baile da Colômbia”, em referência aos tiros. Na sequência, são ouvidos estampidos provocados por armas de fogo.
Veja nota da defesa do cantor:
"A defesa do artista conhecido como MC Urubuzinho, representada pelo advogado Matheus Siqueira, OAB/SP 493.607, vem a público prestar esclarecimentos acerca das notícias recentemente veiculadas na imprensa sobre investigação que apura fatos ocorridos durante um baile realizado no litoral do Estado de São Paulo.
Inicialmente, é importante esclarecer que o artista compareceu ao referido evento exclusivamente para cumprir compromisso profissional previamente contratado, realizando apresentação artística no local, não possuindo qualquer ingerência, controle ou participação em condutas praticadas por terceiros presentes no evento.
As informações divulgadas têm associado o nome do artista a fatos que ainda estão sob investigação pelas autoridades competentes.
A defesa ressalta, de forma categórica, que não existe qualquer vínculo do artista com organização criminosa, tampouco participação em atividades ilícitas dessa natureza, sendo indevida e precipitada qualquer tentativa de estabelecer tal associação antes da completa apuração dos fatos.
A defesa destaca ainda que a presença do artista no evento se deu unicamente na condição de profissional contratado para apresentação musical, situação comum na atividade artística e que não implica, por si só, qualquer responsabilidade por atos eventualmente praticados por terceiros no ambiente do evento.
A defesa ressalta que, no presente momento, há investigações em andamento relacionadas aos fatos noticiados. Contudo, quaisquer acusações serão devidamente enfrentadas no âmbito do devido processo legal, oportunidade em que serão apresentados todos os esclarecimentos e elementos probatórios necessários para demonstrar a inexistência de participação do artista em qualquer atividade criminosa.
Reitera-se que o investigado goza da presunção constitucional de inocência, princípio basilar do Estado Democrático de Direito, e que conclusões antecipadas podem gerar prejuízos irreparáveis à sua imagem e reputação.
A defesa permanece à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos e confia que, ao final das investigações, a verdade será devidamente restabelecida."


