Três empresas concentram maioria dos ataques a ônibus em SP
Regiões Sul e Oeste da capital lideram número de ocorrências desde junho
Um relatório da Polícia Civil aponta que três empresas concentram a maior parte dos ataques a ônibus registrados na cidade de São Paulo desde o início de junho. Os dados mostram que os maiores alvos são a Mobibrasil, com 40 ocorrências, a Transppass, com 28, e a Viação Grajaú, com 26 ônibus danificados.
A maior parte dos casos aconteceu nas zonas Sul e Oeste da capital.
A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes e a SPTrans confirmaram que, desde 12 de junho, foram registrados 339 ataques a ônibus apenas na capital paulista, incluindo um novo caso na quarta-feira (9). Outros 241 ataques ocorreram em linhas intermunicipais da Região Metropolitana, totalizando 580 ocorrências em pouco mais de um mês.
A SPTrans reiterou, em nota, “repúdio aos atos de vandalismo registrados no sistema de transporte” e informou que continua fornecendo dados às autoridades para apoiar as investigações. A empresa reforçou que as operadoras devem comunicar imediatamente todos os casos à Central de Operações e à polícia, além de substituir os veículos danificados por outros da reserva técnica. Caso isso não ocorra, a empresa é penalizada pela viagem não realizada.
Diante da escalada de ocorrências, a Polícia Militar iniciou na semana passada a operação Impacto – Proteção a Coletivos, com foco em corredores, garagens, terminais e áreas de risco. A ação envolve 7.890 policiais, 3.641 viaturas, 673 motos da Rocam e atua em pontos estratégicos definidos por inteligência.
A Polícia Civil também mantém uma investigação ativa, com o apoio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC). Até agora, duas pessoas foram presas, mas apenas uma delas pode ter relação com a série de ataques. “A outra apresentava quadro de instabilidade psicológica, o que indica um caso isolado”, afirmou o delegado Ronaldo Sayeg, diretor do DEIC.
Ainda de acordo com Sayeg, não há, por ora, indícios de envolvimento de facções criminosas, como o PCC. A investigação aponta que os alvos, horários e locais dos ataques variam muito, o que dificulta o estabelecimento de um padrão. As apurações seguem em andamento.
Em nota, a Viação Grajáu afirmou que infelizmente está sendo vítima desses ataques criminosos. Segundo a empresa, já foram 36 coletivos vandalizados, sendo a maioria (15) na Avenida Senador Teotônio Vilela.
Já a Mobibrasil, afirmou que teve diversos ônibus vandalizados nos últimos dias, e está envidando todos os esforços possíveis para que esta situação seja esclarecida e para que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.
"A Mobibrasil reafirma seu compromisso com a integridade e segurança de todos e informa que, em respeito às políticas internas de compliance e à legislação vigente, especialmente a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), não divulga dados pessoais de colaboradores ou passageiros eventualmente envolvidos nas ocorrências", completa a nota.
A CNN entrou em contato também com a Transppass, mas ainda não houve retorno.


