Tuta, "chefão" do PCC, e outras dez pessoas se tornam réus em São Paulo
Também foi decretado o sequestro de mais de R$ 55 milhões e de bens imóveis, para garantir o ressarcimento pelo dano moral coletivo e social provocado pelas práticas dos acusados
A Justiça de São Paulo transformou em réu, nesta sexta-feira (22), Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, apontado como líder do PCC (Primeiro Comando da Capital) e sucessor de Marcola na facção. Além dele, outras dez pessoas também se tornaram réus.
Tuta foi preso em maio deste ano na cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Após a prisão realizada pela PF (Polícia Federal), ele foi enviado para o presídio federal de Brasília. No final do último mês, a Justiça determinou que o líder do PCC fosse transferido para uma unidade prisional de segurança máxima de São Paulo.
A conversão para réu aconteceu após o recebimento de uma denúncia do Ministério Público do estado que afirmou que a medida se deu "pelo cometimento de uma série de atos ilícitos para dissimular a propriedade de imóveis controlados por Tuta, bem como a origem dos recursos utilizados em sua aquisição".
Com a decisão, também foi decretado o sequestro de mais de R$ 55 milhões e de bens imóveis, visando garantir o ressarcimento pelo dano moral coletivo e social provocado pelas práticas dos acusados.
Segundo o MP (Ministério Público), a denúncia foi feita no último dia 14 deste mês, resultado de duas operações contra o esquema liderado por Tuta.
Além disso, conforme as investigações do G aeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o grupo criminoso enviou ao exterior cerca de R$ 1,2 bilhão.
Quem é Tuta, líder do PCC preso na Bolívia
Antes de ser preso, Tuta estava foragido há anos do Brasil e já havia a suspeita de que havia fugido para a Bolívia.
Antes de ser o número um do PCC nas ruas, Tuta trabalhou como adido comercial no Consulado de Moçambique em Minas Gerais, à época, ele estava foragido. Tuta ocupou a função no período de julho de 2018 até julho de 2019.
Ele foi condenado a 12 anos de prisão pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, por associação criminosa e lavagem de dinheiro em fevereiro de 2024.
Vídeo: veja momento em que Tuta, líder do PCC, é preso na Bolívia
"Expulsão" do PCC
Após ser expulso do PCC, por ordenar, em 2021, a morte de Nadim Georges Hanna Awad Neto, o Nadim, Tuta teve a morte anunciada pelo MP por conta da ordem de morte do ex-companheiro de fação.
O motivo do assassinato seria por não cumprir a missão de resgatar líderes da organização criminosa recolhidos desde fevereiro de 2019 em penitenciárias federais, especialmente nos presídios de Brasília (DF) e Porto Velho (RO).
Logo depois, o MP-SP tornou público um “salve” do PCC, onde a organização informava que Tuta não tinha sido assassinado, e sim expulso da organização sob as acusações de “má conduta” e “falta de responsabilidade”.
O “salve” foi divulgado em 26 de abril de 2022, se espalhando pelo sistema prisional paulista. A mensagem dizia que “Tuta estava na luta dele em comunicação com a sintonia do PCC, diferentemente do que a mídia estava informando”.
*Sob supervisão de Felipe Souza


